(Safe House, EUA, 2012)

Ação
Direção: Daniel Espinosa
Elenco: Denzel Washington, Ryan Reynolds, Vera Farmiga, Brendan Gleeson, Sam Shepard, Rubén Blades, Nora Arnezeder
Roteiro: David Guggenheim
Duração: 115 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Protegendo o Inimigo é uma espécie de O Espião Que Sabia Demais versão Estados Unidos. Enquanto o longa britânico é paradão, cheio de detalhes sutis, diálogos dúbios e pede atenção integral do espectador, o filme americano é pura adrenalina e aposta em cenas frenéticas de ação para contar a sua história de espiões.

Um antigo agente da CIA, procurado há muito, tem como única saída para continuar vivo se entregar no consulado do país na Cidade do Cabo. Ele é transferido para um “abrigo”, a safe house do título, onde um agente novato passa dias sem fazer nada, esperando a oportunidade de ser transferido para Paris. É nessa instalação que o foragido, agora chamado de convidado, será interrogado por uma dupla do alto escalão e, depois de uma invasão terrorista, deixa de ser a ameaça e passa a ser o protegido.

Como o filme é de ação, envolve espionagem e é estadunidense, alguns acontecimentos não poderiam ser mais clichês. O agente preso é um dos melhores já treinados pela agência, existe um relacionamento entre o novato e alguém que está partindo, uma relação de amor e ódio é estabelecida entre os dois protagonistas, há alguém que está enganando todo mundo, o grupo de caras maus tem as mesmas roupas de sempre e sempre chega do mesmo jeito, existe um amigo perdido no meio do nada que vai ajudar a dupla principal e por aí vai.

Apesar de seguir o caminho do aborrecimento fácil e da diversão desnecessária – sensações estimuladas pelo material de divulgação, inclusive – o filme não chega a ser tão ruim, mas não é bom também. Entre as qualidades, estão algumas sequências de ação que, mesmo mantendo os cortes excessivos e soluções visuais clichês, demonstram a afinidade entre o veterano diretor de fotografia de filmes de ação Oliver Wood (trilogia Bourne) e o diretor sueco Daniel Espinosa (Snabba Cash).

O mesmo pode ser dito da dupla de atores principais. Denzel Washington e Ryan Reynolds funcionam bem juntos. Depois de tentar controlar um trem desgovernado, Washington volta às telas num papel que não tem tanto assim para mostrar, mas faz bem o seu trabalho, e Reynolds vai se firmando como o simpático eclético que passeia competentemente entre romances com a chefe, dramas tensos dentro de caixotes de madeira, comédias de troca de corpos e filmes toscos de super-heróis que vestem verde.

As qualidades, porém, não escondem o roteiro fraco, que não pensa duas vezes antes de criar situações muleta, ignorar dados que ele mesmo cria ou apelar para o que já é mais do que conhecido e esperado pelo público. Perdidos entre várias situações “emprestadas” de outros filmes de espionagem e traição, estão bons atores como Vera Farmiga, Brendan Gleeson e Sam Shepard. Nomes como estes contrastam com um elenco de apoio que não é dos mais cuidadosos, o que dá a impressão de que todo responsável por cast aprende em algum curso que, em filmes de ação, os terroristas contratados devem ser inexpressivos ou caricatos.

O desequilíbrio claro torna o filme menos interessante, mas o programa serve para aqueles momentos em que pensar não é a principal intenção. Entre reviravoltas, perseguições, explosões, cenas de luta, muita adrenalina e testosterona até que tem os seus momentos, mas nada que dure muito tempo na cabeça de quem acabou de assistir ao filme.

E voltando à comparação do começo, este pode até ser a versão americanalhada de O Espião Que Sabia Demais, mas é bem difícil não perceber a principal diferença entre eles: um é bom e inteligente, o outro não.

Um Grande Momento

A primeira tentativa de fuga.

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