(Solace, EUA, 2015)

Suspense
Direção: Afonso Poyart
Elenco: Jeffrey Dean Morgan, Abbie Cornish, Anthony Hopkins, Colin Farrell, Marley Shelton, Kenny Johnson, Janine Turner
Roteiro: Sean Bailey, Ted Griffin
Duração: 101 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Depois de chamar atenção com seu primeiro longa-metragem, 2 Coelhos, que apresentou ao cinema nacional um filme de ação frenético e bem superior às outras tentativas do gênero, Afonso Poyart também foi ousado em seu segundo passo: assinar uma produção hollywoodiana.

Presságios de um Crime foi produzido, entre outros, por Anthony Hopkins, que atua como protagonista do filme, e conta a história de John Clancy, um médico paranormal, consultor especial do FBI, que se isolou da sociedade depois da morte da filha por leucemia. Uma série de assassinatos que não deixa provas faz com que Clancy volte à ativa.

Ao deixar de lado a estética de videoclipe, muito presente em 2 Coelhos, Poyart acaba destacando negativamente seus muitos exageros visuais e complica o andamento da história. São muitas imagens carregadas, muitas repetições e pouca atenção àquilo que se conta.

Escrito por Sam Bailey e Ted Griffin, o roteiro toca em pontos polêmicos, como a eutanásia, e não erra ao tentar humanizar o assassino, indo além do maniqueísmo. Mas não resiste ao melodrama, aos muitos clichês do gênero e a explicações tolas, sem falar que soluciona seu principal conflito de maneira fácil e frustrante.

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Além disso, há um problema grave na distribuição da trama. O longa só começa a se encontrar na terceira parte do filme, depois de um começo e desenvolvimento bastante cansativo e pouco envolvente. Se o primeiro terço é sofrível também pelas fracas atuações de Jeffrey Dean Morgan e Abbie Cornish como os dois investigadores do FBI; o segundo, que melhora com a atuação de Hopkins, sofre com os exageros nas visões do paranormal.

Aliás, vale destacar que Anthony Hopkins e Colin Farrell, apesar da atuação um pouco canastra, são o que que há de melhor no filme. Levando a sério aquilo que estão fazendo, são os responsáveis pelos melhores momentos de Presságios de um Crime.

O diretor até acerta na escolha de uma trama relativamente complexa, mas fracassa ao não acreditar na capacidade do espectador, fazendo com que todas as cenas relevantes sejam marcadas demais. Aquilo que já vimos repetidas vezes nas visões é explicitado, de maneira grosseira, na realização dos eventos.

Com um orçamento um pouco melhor, Poyart poderia ter aproveitado o dinheiro de uma outra maneira. Porém, apesar do resultado ser aquém do esperado, é possível perceber que o realizador brasileiro tem algo de diferente para mostrar.

Problemático em seu desenvolvimento e sofrendo com a falta de credibilidade no público, Presságios de um Crime não deixa de ser um começo para um realizador que está dando os primeiros passos e já conseguiu chegar bem longe no gênero que resolveu assumir. Que seu próximo filme Mais Forte Que o Mundo, sobre o lutador de MMA José Aldo, seja melhor.

Um Grande Momento:
Nada tanto assim.

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Com a colaboração de Cecilia Barroso