(We Need to Talk About Kevin, GBR/EUA, 2011)

Drama
Direção: Lynne Ramsay
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Jasper Newell, Ashley Gerasimovich
Roteiro: Lionel Shriver (romance), Lynne Ramsay, Rory Kinnear
Duração: 112 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

A adaptação para o cinema do livro “Precisamos Falar Sobre Kevin” desde o começo pareceu ter poucas chances de dar certo. Para contar a história de um jovem assassino, que comete um atentado na escola onde estudava, a autora Lionel Shriver utiliza-se de uma narrativa complexa, baseada em cartas escritas pela mãe de Kevin ao pai do garoto. Eventos e a construção das personagens, suas culpas e personalidades, são apreendidos através das análises dessa narradora. Como transformar isso em filme?

Apesar da dificuldade, o longa homônimo de Lynne Ramsay (O Romance de Morvern Callar) consegue trazer para as telas a complexidade do romance. A construção gradativa da trama e os muitos cortes narrativos transferem a sensação de angústia e o suspense do livro, mas, por mais que se acerte na adaptação, o filme não consegue chegar lá e acaba com cara de experiência frustrada.

O principal motivo é o exagero da diretora. Passando a sensação de que tudo está pouco explícito demais, desconfiando da capacidade do espectador, ela se torna óbvia, repetitiva e pouco sutil. Perdido nessa vontade de chocar e impressionar, Precisamos Falar Sobre Kevin não consegue se recuperar.

Pretensioso em vários aspectos, é na plasticidade perfeita que está o maior problema do filme. Ainda que reúna uma turma que sabe muito bem o que está fazendo, com Seamus McGarvey (Desejo e Reparação) na direção de fotografia, Judy Becker (Hora de Voltar) no desenho de produção, Charles Kulsziski (Shame) na direção de arte e Heather Loeffler (O Lado Bom da Vida) na cenografia, é impressionante que a coisa tenha saído tanto do eixo assim. A insistência no vermelho chega a ser grosseira.

Entre tanta falta de sutileza, porém, surge Tilda Swinton (Conduta de Risco) em uma atuação espetacular. Destoando de tudo que a cerca, ela consegue ser contida na medida certa e se transforma em uma mulher angustiada e cheia de culpa que tenta entender como foi que as coisas chegaram naquele ponto. Apesar de bem acompanhada por John C. Reilly (Magnólia) e Ezra Miller (As Vantagens de Ser Invisível), o filme passa a valer a pena por causa dela, aliás, passa a ser apenas ela, sobrevivendo a uma montanha de inadequação estética.

Um ótimo exemplo de que a adaptação de literatura para o cinema não é sempre o principal problema dos filmes. Ainda que ela funcione, a falta de parcimônia dos realizadores pode ser muito mais letal para qualquer história.

Vale por Tilda. E só.

Um Grande Momento:
A tomatina.

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