(Get the Gringo, EUA, 2012)

Ação
Direção: Adrian Grunberg
Elenco: Mel Gibson, Peter Stormare, Dean Norris, Stephanie Lemelin, Kevin Hernandez, Bob Gunton, Dolores Heredia, Daniel Giménez Cacho, Tenoch Huerta, Fernando Becerril, Jesús Ochoa
Roteiro: Mel Gibson, Adrian Grunberg, Stacy Perskie
Duração: 95 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Cena de perseguição. Dois mascarados, disfarçados de palhaços, fogem da polícia americana nas proximidades da fronteira com o México. Um deles está ferido e sangra muito e o outro dirige xingando e narrando o que estamos vendo com um mau-humor único. Assim somos fisgados por Plano de Fuga, que traz às telas uma história tão absurda quanto interessante.

O homem que está dirigindo não tem nome. Ele acaba de roubar muito dinheiro, mas ninguém sabe de quem. Depois de invadir a fronteira e de uma rápida disputa entre corruptos policiais das duas margens, ele é preso e levado a uma cadeia superlotada no México e de lá é transferido para o Pueblito, um presídio onde uma espécie de cidade foi montada, com mulheres, crianças, comércio e chefiada por Javi, uma espécie de dono do morro.

Lá o motorista recebe o nome de Gringo e tem um único objetivo: fugir para reaver o dinheiro que agora está sendo gasto pelos policiais que o prenderam. Frio e calculista, ele vai armando golpes dentro do próprio presídio para realizar seu plano e acaba se aproximando de um menino malandro e cheio de rancor e de sua mãe durona.

Em sua estreia na direção depois de vários projetos como assistente de diretor, Adrian Grunberg consegue levar o filme com muita competência, aproveitando o melhor da equipe que tinha a sua disposição, como o competente desenho de produção de Bernardo Trujillo (Frida) e arte de Jay Aroesty (Apocalypto) e Francisco Blanc (Amor nos Tempos do Cólera); a trilha sonora precisa de Antonio Pinto (Ensaio Sobre a Cegueira); uma fotografia inspirada Benoît Debie (Irreversível) e a montagem segura de Steven Rosenblum (Diamante de Sangue).

Mel Gibson, um apaixonado pelo projeto, atua, produz e assina o roteiro junto com o diretor e o produtor Stacy Perskie. Como Gringo ele, que levou os trejeitos de seu Max Rockatansky até para seu Hamlet, volta ao papel completamente e parece se sentir tão bem fazendo cenas de ação, que ninguém se atenta aos muitos anos que já traz consigo. Carismático, ainda que restrições pessoais existam aqui e ali, ele é a alma do filme. Mas está muito bem acompanhado do jovem Kevin Hernandez que soube transpor para as telas a criança que foi proibida de viver sua infância.

Cheio de diálogos de efeito e algumas figuras bem estereotipadas, o roteiro não compromete. Além da criação daquele universo absurdo e cheio de personagens de índole duvidosa, não há nenhuma vontade explícita de se fazer passar por apurado, assumindo em diversas passagens sua função como guia de um filme de ação. Assim sendo, ninguém pode entrar na sala esperando o mais inesqucível dos filmes, mas pode se preparar para a adrenalina que quase escorre pela sala.

São muitas cenas perfeitamente coreografadas, correria, confusão e momentos testosterona pura. Um filme de ação com todos os ingredientes que atraem seu público cativo. Para os visitantes ocasionais, não tem como não ficar impressionado com a história da cidade que funciona como qualquer vilarejo comum dentro de um presídio. É muito surreal para ser deixado de lado.

Um Grande Momento

A invasão do presídio pelos capangas de Frank.

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