36ª MostraDrama
Direção: Joachim Lafosse
Elenco: Niels Arestrup, Tahar Rahim, Émilie Dequenne, Stéphane Bissot, Mounia Raoui, Redouane Behache, Baya Belal
Roteiro: Thomas Bidegain, Joachim Lafosse, Matthieu Reynaert
Duração: 111 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆
(À perdre la raison, BEL/LUX/FRA/CHE, 2012)

Um dos filmes mais concorridos da Mostra, com problemas nas primeiras sessões e reagendamentos, Perder a Razão, novo longa de Joachim Lafosse é uma viagem à mais profunda depressão e, como não poderia deixar de ser, um soco na boca do estômago. Logo no nas primeiras cenas, o espectador percebe que não há liberdade de expectativa. O final trágico é entregue antes de qualquer outra coisa e só resta saber como e quando aquilo aconteceu.

Se o flashback não é o método narrativo mais criativo da atualidade, emprestando estruturas exatamente iguais à de Perder a Razão a centenas de filmes, o seu uso poderia ser questionado, mas é perfeito para a história de Lafosse onde o principal trabalho é a construção de uma atmosfera depressiva e angustiante, cada vez mais desesperada.

Mounir é um marroquino que vive na Bélgica com o médico André, seu cunhado e pai adotivo, e está perdidamente apaixonado por Murielle, uma jovem professora que também está apaixonada por ele. Ambos aceitam começar a vida na casa do velho protetor e lá se casam. Com o passar do tempo e a chegada dos fillhos, a falta de espaço e problemas de convivência começam a aparecer. O bondoso senhor se mostra intolerante e manipulador, a paixão vira outra coisa e a depressão começa a corroer a vida de Murielle.

Com quadros incompletos, sempre fotografados por trás de paredes, bancos de carros e outros obstáculos, a incerteza fica presente durante todo o filme. O final é claro, mas o que está escondido? O que eu não posso ver dessa história que está sendo contada? A sensação de sufocamento também é aumentada pela fotografia. Ao escolher planos fechados e close-ups, Lafosse e Jean-François Hensgens colocam o espectador muito mais próximo da história do que gostaria de estar.

Além da técnica estilística, boas atuações colaboram com o clima pesado e conseguem atingir o público que, no ápice de uma incômoda de prostração assiste ao desfecho antecipado. É depois disso que o filme tropeça, ao se prolongar num final que já estava claro e não precisava de mais palavras.

Um Grande Momento

“Malika…”

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