(La isla mínima, ESP, 2015)

Suspense
Direção: Alberto Rodríguez
Elenco: Javier Gutiérrez, Raúl Arévalo, María Varod, Perico Cervantes, Jesús Ortiz, Jesús Carroza, Antonio de la Torre, Ana Tomeno
Roteiro: Alberto Rodríguez, Rafael Cobos
Duração: 105 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Pecados Antigos, Longas Sombras acontece em uma Espanha ainda se adaptando com a democracia, depois de 37 anos da ditadura franquista, dois policiais são enviados para os pântanos de Guadalquivir no sudoeste do país para solucionar o assassinato de duas jovens durante festividades locais.

Em sua construção, o longa-metragem dirigido por Alberto Rodríguez (Grupo 7) e escolhido pela Espanha para tentar uma vaga na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2016, usa um elemento bastante comum em filmes policiais: a contraposição de duas personalidade. Aqui, Pedro é um policial correto, bem intencionado e que, já naquela época, defendia os direitos das mulheres. Seu parceiro, Juan, é um beberrão, machista e que tem um passado obscuro.

Dispensando boa parte do roteiro escrito pelo diretor e por Rafael Cobos (El amor no es lo que era) na dicotomia entre os dois, o filme vai um pouco mais longe ao ter um cuidado especial na construção de personagens multifacetados, dando a eles profundidade, dimensão e credibilidade.

Ainda que isso não ocorra da mesma maneira com os antagonistas, há uma construção interessante no suspense, que segue numa crescente e, entre reviravoltas pertinentes e descobertas incômodas, prende o espectador.

Obviamente, é fácil perceber a influência do cinema estadunidense em um gênero onde este ainda é bastante influente e, por vezes, dada a proximidade dos personagens principais e do desenvolvimento, seja possível associá-lo à primeira temporada da minissérie True Detective, produzida pela HBO. Mas Pecados Antigos, Longas Sombras consegue se diferenciar pela interferência do ambiente em que acontece, principalmente nessa presença de uma ditadura recente e na falta de caminhos a seguir em um novo e ainda desconhecido regime.

São muitos acertos na produção, como as belíssimas imagens de Alex Catalán (Um Dia Perfeito), que explora bem as paisagens pantanosas da Andaluzia e é eficiente na construção dos quadros solicitados por Rodríguez, ainda que nem todos eles se justifiquem. A trilha sonora, assinada por Julio de la Rosa (Juan dos Mortos), melancólica e tensa, também está muito bem empregada.

A direção de arte de Pepe Domínguez del Olmo (Tres días) e os figurinos de Fernando García (Amador), que fazem uma eficiente reconstituição de época, e a complexa montagem de José M. G. Moyano (un mundo cuadrado), também são pontos positivos do longa-metragem.

Mas o maior destaque do filme está nas interpretações de Javier Gutiérrez (Crime Ferpeito), como Juan, e Raúl Arévalo (Os Amantes Passageiros), como Pedro. Os dois conseguem compreender e captar as nuances de seus personagens, provocando uma imersão ainda maior em quem assiste ao filme.

Pecados Antigos, Longas Sombras é um daqueles filmes que surpreende e que consegue ficar na cabeça por bastante tempo. Indicadíssimo para quem gosta de filmes de suspense policial.

Um Grande Momento:
A descoberta dos corpos.

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