(Paris-Manhattan, FRA, 2012)

Comédia
Direção: Sophie Lellouche
Elenco: Alice Taglioni, Patrick Bruel, Marine Delterme, Louis-Do de Lencquesaing, Michel Aumont, Marie-Christine Adam, Yannick Soulier
Roteiro: Sophie Lellouche
Duração: Duração 77 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Quando fiquei sabendo que iria estrear um filme em homenagem a Woody Allen, não pude esconder a minha ansiedade. Afinal, quem me conhece sabe da devoção que tenho àquele que considero um dos cineastas que transmite seus devaneios de uma forma acessível, ao mesmo tempo em que sabe trabalhar com todas as suas referências de maneira orgânica e aprofundada (talvez aqui seja o único paralelo que podemos traçar entre Allen e Tarantino).

No último final de semana, estreou em nossos cinemas essa espécie de carta de amor que a caloura Sophie Lellouche faz ao seu (aparente) mentor. Porém, o que era para ser um trabalho de respeito ao autor, acabou tornando-se uma malfadada tentativa de aludir a Woody Allen na maior parte do tempo, sem qualquer veia teórica para tal. O resultado está à beira do decepcionante.

Alice (Alice Taglioni), assim como eu, é obcecada por Allen. Conhece a filmografia do diretor como ninguém e dialoga com o pôster do seu ídolo pendurado em seu quarto. O problema é que ela nunca teve sorte com homens e parecia não ligar muito para isso desde que perdeu o seu paquera juvenil para a irmã. Sua família – tipicamente judia – é que está preocupada. Os pais tentam, muitas vezes, servirem de cupidos, mas Alice, agora dona de uma farmácia, não está lá muito interessada em se ater a alguém. A situação só irá mudar quando conhecer Victor (Patrick Bruel), um instalador de alarmes que nunca assistiu a sequer um filme de Woody Allen.

Além da já citada família judia, a homenagem aos ingredientes narrativos e estilísticos de Allen não para por aí. Alice ainda é uma exímia admiradora de Cole Porter, suas relações são arraigadas em discussões etéreas, é engraçada (na medida do possível), conhece um personagem aparentemente infiel, outro que é hipocondríaco, e tem espaço até para algumas “gags” – com ênfase nas aspas, já que a espontaneidade aqui é bem falseada.

E se isso poderia resultar em um Woody Allen wannabe ao menos interessante, só não foi fracasso pior porque o próprio homenageado apoiou a ideia. Woody Allen não só empresta sua voz para as falas com a protagonista da história, como faz uma participação não creditada, que não teria como salvar o que já estaria padecido. O pior defeito, sem dúvidas, estaria nos investimentos pouco convincentes dos demais personagens e seus devidos plots, como o alcoolismo da mãe, as desconfianças conjugais da irmã ou o namorado misterioso da sobrinha.

Mas se tem uma coisa que não tem como negar é que Sophie Lellouche foi feliz na ideia (apesar dos pesares) que funciona, principalmente, para o espectador iniciante de Woody Allen. Só isso já é motivo suficiente para não tornar a obra descartável por completo.

Um Grande Momento:
A recomendação dos filmes de Woody Allen como medicamentos para a alma.

Paris-Manhattan

Links

No IMDb