(Paraísos Artificiais, BRA, 2012)

Drama
Direção: Marcos Prado
Elenco: Nathalia Dill, Luca Bianchi, Lívia de Bueno, Bernardo Melo Barreto, César Cardadeiro, Divana Brandão, Emílio Orciollo Neto, Roney Villela, Cadu Fávero
Roteiro: Pablo Padilla, Cristiano Gualda, Marcos Prado
Duração: 96 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Passar para a fase adulta é difícil. É difícil deixar para trás a falta de compromisso, os sonhos dourados, aquele amor que parece ser o único e enfrentar as consequências dos próprios atos. Essa é a levada de Paraísos Artificiais, primeiro longa de ficção de Marcos Prado, diretor do excelente documentário Estamira.

Nando está passando uns dias em Amsterdã com um amigo e lá conhece e se apaixona pela dj Érika. Mas, diferente do que imagina, este não é o primeiro encontro dos dois. Eles já se conheciam de uma rave nos moldes do festival de música eletrônica Universo Paralelo, onde ela estava para tocar dois anos antes, acompanhada da namorada, Lara. A história, narrada de forma não linear, parte de um outro momento da vida do jovem, quando ele tenta se readaptar à vida depois de uma temporada na cadeia.

O público não sabe porque ele foi preso ou como ela foi parar em Amsterdã e vai descobrindo a história gradualmente pelos flashbacks de ambos. A estrutura narrativa, aliada a uma fotografia de fazer inveja, assinada por Lula Carvalho, são convidativas e envolvem o público, que durante um bom tempo fecha os olhos para as falhas do roteiro e tenta entender o que está acontecendo.

Ainda que sofra algumas quebras, o filme se mantém muito bem até certo ponto, seja por explorar competentemente a suas idas e vindas, despertando a curiosidade acerca da história; seja ao abordar a passagem por uma fase onde não se é mais criança, mas não se chegou a ser adulto e pela qual todos nós, com ou sem drogas, passamos. Quando os riscos deixam de ser mensurados, o medo não é levado em consideração, os sentimentos estão todos a flor da pele, a palavra responsabilidade é deixada de lado e experimentar é tudo o que importa.

Mas não existe identificação, fotografia perfeita ou inovação narrativa que consiga manter um roteiro capenga por mais de 90 minutos. Paraísos Artificiais perde toda a sua força em um ponto específico, quando a primeira separação consciente se apoia em praticamente nada e a fragilidade da história vem a tona de forma irreversível. E o problema não é a previsibilidade, mas sim a inconsistência do roteiro.

Ainda que visualmente seja cinema puro e por mais de uma vez tenha se mostrado ousado, como numa cena que indignou metade do público pudico, o filme se perde ao assumir o melodrama e pesar a mão no moralismo exacerbado, onde todos os erros e “pecados” são punidos, e na busca pela redenção final. A partir daí, passagens antes relevadas passam a incomodar fortemente.

Uma pena, porque tanto a temática como a história em potencial poderiam render muitos bons frutos se tratadas de maneira mais imparcial e se a intenção de passar alguma lição de moral soubesse se camuflar um pouco mais.

Apesar disso, é necessário reconhecer toda a qualidade técnica do filme. A arte de Cláudio Amaral Peixoto e a montagem de Quito Ribeiro merecem destaque, assim como o empenho e entrega do casal de protagonistas Luca Biachi e Nathalia Dill.

Uma boa tentativa, mas que puxou o freio de mão muito cedo. Talvez tenha faltado justamente um pouco do arrebatamento e da noção de impunidade da fase retratada.

Um Grande Momento

A viagem de peiote.

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