(Para Minha Amada Morta, BRA, 2015)

Drama
Direção: Aly Muritiba
Elenco: Fernando Alves Pinto, Mayana Neiva, Lourinelson Vladmir, Giuly Biancato, Michelle Pucci, Vinicius Sabbag
Roteiro: Aly Muritiba
Duração: 105 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Encarar o luto é extremamente difícil, porém, descobrir que a sua esposa que você acabou de perder te traía, pode transformar esta experiência em um sentimento sufocante. Para Minha Amada Morta, que marca a estreia de Aly Muritiba em longas-metragens de ficção, apresenta como tema principal a busca do protagonista pelo amante da sua amada morta e a sua obsessão pela família dele.

Fernando (Fernando Alves Pinto) é um fotógrafo policial que acabara de ficar viúvo e passa os dias a relembrar sua perda. Ao limpar o escritório dela, ele encontra diversas fitas VHS com vídeos da sua mulher. Dentre eles, há o registro de uma tórrida história de infidelidade. A partir daí, o que era encantamento se transforma em um sentimento de raiva que impulsiona Fernando a procurar o amante.

Acompanhar a saga de Fernando causa desconforto em muitos momentos. A angústia e a dor reprimida do personagem estão sempre presentes, são sentimentos quase palpáveis que ajudam a manter a tensão da história.

É na construção da narrativa que está a maior qualidade do filme. Apesar do começo lento, a história engrena a partir do momento em que Fernando passa a morar na casa dos fundos de Salvador e, sutilmente, torna-se “parte” daquela família.

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Como se estive jogando xadrez, Fernando, de forma fria e meticulosa, tenta movimentar as peças do tabuleiro da vida de Salvador. Porém, o excesso de proximidade acaba fazendo com que o protagonista crie, ainda que frágeis, vínculos com aquelas pessoas, inclusive com aquele que mais odeia.

Além do excelente roteiro, Para Minha Amada Morta conta com a precisa atuação de Fernando Alves Pinto. A sua composição de um homem introspectivo, de poucas palavras, é fundamental para que a tensão do filme nunca se desfaça.

Tensão essa que o diretor faz questão de trabalhar minuciosamente e de forma diferente, esticando-a até o limite quase sufocante e criando várias expectativas em quem assiste ao filme. Aly aposta nos planos-sequências e tem um cuidado todo especial com a duração e o ritmo de cada cena.

Envolvente do começo ao fim, Para Minha Amada Morta é um filme reflexivo, que expõe dores e feridas sem jamais perder de vista a humanidade dos personagens.

Um Grande Momento:
Ela está morta.

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