(Palavra (En)Cantada, BRA, 2008)

Documentário

Direção
: Helena Solberg

Elenco: Adriana Calcanhotto, Chico Buarque e Hollanda, Maria Bethânia, Arnaldo Antunes, Lenine, Black Alien, Antônio Cícero, Zélia Duncan, Ferréz, Jorge Mautner, Tom Zé, Luiz Tatit, B Negão

Roteiro: Diana Vasconcellos, Helena Solberg, Marcio Debellian (roteiro e argumento)

Duração: 86 min.

Minha nota: 10/10

Existe um tesouro nacional que por estarmos tão acostumados com ele, muitas vezes deixamos de prestar atenção e de dar o devido valor. Esse tesouro é a nossa música e ela só é tudo isso (não só para nós) por conseguir ter dentro de si toda a alma brasileira (suas muitas cores, sentidos e história de vida) e traduzir tudo utilizando-se de um idioma que consegue conter também em si todas as muitas nuances do povo daqui.

O documentário Palavra (En)Cantada traz para perto e dentro de nós a história da música e sua ligação tão próxima e mixada com palavra. Tudo com comentários deliciosos de grandes intérpretes nacionais, imagens de arquivos e, claro, muitas canções.

Depois de ouvir todas as pessoas falando muito bem do filme e de uma vontade enorme de conferir, entrei na sala com um pouco de medo de que a minha expectativa diminuísse o filme aos meus olhos. Mas eu sabia que com os nomes envolvidos no projeto as chances eram grandes de ser um sucesso e tudo só poderia ser estragado pela escolha da linguagem utilizada no documentário.

Mas nada foi problema. A expectativa, ainda que grande, não conseguiu alcançar a grandiosidade do filme e a linguagem não poderia ser melhor escolhida. Parecia que estávamos sentados ali, na varanda do apartamento de Lenine junto com ele ou no jardim enquanto Bethânia nos recitava um verso de Pessoa.

A idéia original de Marcio Debellian era, na verdade, fazer pequenos shows durante a Bienal do Livro com os músicos trazendo para o público suas influências literárias, recitando poemas e mostrando, cada um a seu modo, sua relação com a palavra escrita.

Depois de um tempo ele viu que tudo ficaria muito melhor em um documentário e resolveu correr atrás. A diretora Helena Solberg abraçou a idéia e o resultado estréia amanhã nos cinemas de todo Brasil.

O mais interessante do filme é que ele consegue mesclar momentos e emoções muito diferentes, fazendo com que quem assista se orgulhe, chore, ria e tenha que se segurar para não sair cantando todas as canções e atrapalhando as outras pessoas.

E toda a magia criada por esta conjução cinema + música + literatura, faz também com que um gênero bem discriminado da produção nacional, o documentário, seja visto com olhos diferentes. Ou seja, no final todas as três artes ganham muito com o que está sendo projetado.

Eu, particularmente, saí da sala tão tocada que está difícil parar de pensar e esquecer os quadros e as músicas. Tanto que amanhã estarei de novo no cinema, com minha mãe e meus filhos.

Obrigatório! Não só para amantes da música, não só para apreciadores da literatura, mas para todos que são brasileiros!

Um Grande Momento

Feréz fala da literatura.

Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Festival do Rio: Melhor Direção – Documentário

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