(Oz the Great and Powerful, EUA, 2013)

Fantasia
Direção: Sam Raimi
Elenco: James Franco, Mila Kunis, Rachel Weisz, Michelle Williams, Zach Braff, Bill Cobbs, Joey King, Tony Cox
Roteiro: L. Frank Baum (romance), Mitchell Kapner, David Lindsay-Abaire
Duração: 130 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

É muito bom voltarmos a lugares que conhecemos bem e onde gostamos muito de ter estado. Essa nostalgia gostosa justifica o nosso retorno ao mundo encantado de Oz e é ela também quem faz com que a experiência com o novo filme de Sam Raimi sobre a terra encantada não seja tão decepcionante.

Isso porque o Oz: Mágico e Poderoso tropeça várias vezes, principalmente em sua concepção visual. Assinando um filme diferente de tudo que conhecíamos em sua filmografia, Raimi parece meio deslumbrado com a oportunidade e acaba se perdendo. Parece que a vontade de impressionar prevalece à própria história contada. Que o digam os muitos efeitos especiais e o 3D nada sutil.

Logo após à chegada ao mundo encantado, quando a cor volta à tela em uma primeira referência ao clássico O Mágico de Oz e a janela é redimensionada (o filme começa com uma proporção de 1.33:1 e depois muda pra 2.35:1), há quebra com o conforto estabelecido pela interessante sequência de abertura. É como se de repente aquele filme virasse outro. E um outro título já visto. Mais precisamente, Alice no País das Maravilhas de Tim Burton. Esta estranha associação com outro filme que remete a um clássico do passado é negativa, principalmente pelo filme de Burton não ser bom, mas é inevitável. O visual artificial e sobrecarregado de cores e brilhos é o mesmo e, para piorar, a trilha sonora também é assinada pelo marcante Danny Elfman.

Para complicar, os atores também demonstram alguns problemas com essa profusão de efeitos e sons. James Franco, que demora um tempo para convencer como o personagem principal, tem dificuldades para lidar com o cromaqui em algumas passagens e Mila Kunis sofre com o som em algumas de suas redublagens.

Em meio a tanta coisa fora do lugar, fica clara a força da memória cinéfila de quem assiste ao filme. Afinal de contas, estamos de volta à estrada de tijolos amarelos e à cidade das Esmeraldas e, além de todos os Quadlings, Winkies, Munchkins e Gillikins, conhecemos a origem das apavorantes bruxas do Leste e do Oeste; da bondosa Glinda, a bruxa do Sul, e do próprio Mágico de Oz.

É muito difícil resistir e aquela atenção inicial, tão voltada aos defeitos, acaba cedendo à magia da história, que começa a fluir melhor depois que a trama se amarra e o filme se assume como homenagem. As muitas referências ao filme estrelado por Judy Garland em 1939, tão marcado em nossa memória afetiva, não passam batidas e engrandecem a experiência.

No final das contas, Oz: Mágico e Poderoso é um filme exagerado e meio perdido, mas que funciona muito bem para os que conhecem a história de Dorothy. Sorte de Sam Raimi que esta é uma das histórias mais conhecidas do cinema.

Ainda assim, fica uma frustraçãozinha. Poderia ser tão melhor.

Um Grande Momento:
Ainda no Kansas.

Oz-Magico-Poderoso

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