(The Avengers, EUA, 2012)

Ação
Direção: Joss Whedon
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Clark Gregg, Cobie Smulders, Stellan Skarsgård, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow, Paul Bettany
Roteiro: Stan Lee e Jack Kirby (HQ), Joss Whedon, Zak Penn
Duração: 142 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

E finalmente Os Vingadores chegam aos cinemas. Aguardado com ansiedade por fãs de quadrinhos e amantes o cinema de ação no mundo todo e com uma campanha de lançamento caprichada, o filme tinha muitas expectativas para superar.

Indicativos de fracasso não eram poucos: depois de um muito bem sucedido Homem de Ferro, os outros títulos individuais dos heróis integrantes da liga pacificadora não conseguiram empolgar muito; o tido como nome certo para a direção do filme Jan Favreau, responsável pelo já citado Homem de Ferro, desistiu do projeto no meio; o Bruce Banner de Mark Ruffalo não inspirou confiança nos amantes do cientista vivido anteriormente por Edward Norton, assim como o mistério acerca da computação gráfica de Hulk gerou uma onda de boatos nada animadora.

Mas nada disso dura sequer quinze minutos depois do início da projeção. Equilibrado mesmo nas frenéticas cenas de ação, Os Vingadores cumpre tudo o que promete e vai além. Apostando pesado no humor, consegue dar atenção a cada um de seus muitos heróis: Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro. Nenhum deles simplesmente desfila pela tela, todos têm suas personalidades, métodos e manias bem demarcados. E fazer isso num filme onde Nova York é destruída numa batalha contra alienígenas é muito impressionante.

A história do filme mistura, entre outras coisas, elementos das primeiras aventuras de Os Vingadores e Os Supremos nos quadrinhos. Trabalhando pela primeira vez juntos depois de serem selecionados por Nick Fury, diretor da S.H.I.E.L.D (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão, no Brasil), Os Vingadores precisam impedir a tentativa do sem-noção Loki, deus asgardiano e meio-irmão de Thor, de dominar a Terra em uma associação com os chitauri, raça alienígena.

O trabalho de Joss Whedon surpreende. Roteirista de aventuras Disney como Toy Story e Atlantis – O Reino Perdido; de filmes como Alien – A Ressurreição e de seriados televisivos, ele nunca havia comandado um set de cinema, apesar dos episódios de Firefly, Buffy – A Caça Vampiros e Dollhouse que dirigiu para a telinha. Mas talvez a inexperiência somada ao modo como só um roteirista consegue ver um filme sejam os maiores motivos pelo sucesso de Os Vingadores. Recheado de tiradas bem-humoradas, sacadas nerds, referências ao cinema pop que vão de Enquanto Você Dormia a Caçadores de Emoções, e uma tranquilidade ímpar na hora de revelar seus personagens, o longa se diferencia de outros títulos com super-heróis e envolve o público, indo muito além do simples encantamento com as fantásticas cenas de ação.

E haja ação! As cenas da destruição da cidade são de cair o queixo e a transformação do Hulk, pauta de tantas fofocas antes, não deixa nada a desejar. O 3D não é fundamental mas, sem ser exagerado, deixa tudo muito mais divertido. Alguns planos, meio incomuns para o gênero, também chamam positivamente a atenção. A “culpa” é de Seamus McGarvey, responsável pela fotografia do filme e de títulos como As Horas, Desejo e Reparação e, mais recentemente, Precisamos Falar Sobre o Kevin.

O elenco também está muito bem. Robert Downey Jr. prova a cada novo filme que não poderia haver outro para interpretar o milionário egocêntrico Tony Stark e está muito bem acompanhado por Chris Evans, que vive o empombado Capitão América; Scarlett Johansson, na pela da sensual e mortal Viúva Negra, e Jeremy Renner, como Gavião Arqueiro. O mesmo não pode ser dito de Chris Hemsworth, o Thor. Ainda que não comprometa, a insegurança do jovem ator australiano incomoda. Diferente dos seus companheiros de set, que já tiveram pelo menos uma chance de viver seus personagens em outros filmes, Mark Ruffalo estreia seu Hulk em Os Vingadores e consegue ser muito mais convincente como Dr. Banner do que qualquer um de seus antecessores, sendo o primeiro a acertar o tom nerd e acanhado do personagem. Fora do núcleo heroico, o destaque do filme é Tom Hiddleston. Vivendo pela segunda vez o vilão Loki, o inglês rouba a cena.

Entre tantas boas escolhas e acertos, algumas pequenas coisas podem incomodar os mais xiitas adoradores de quadrinhos, como a sociabilização meio repentina de uma fera ou a ausência de uma frase específica. Mas nada que, de verdade, comprometa o resultado. O longa é diversão garantida, tanto para fãs como para aqueles que estão se aventurando no universo dos super-heróis sem saber muito sobre ele.

Claro que quem não gosta da superficialidade do cinema de ação, fica computando as mentiras ou inverdades durante o filme e não quer ver filmes violentos deve manter uma distância segura.

Um Grande Momento

Cuidado com a boca! Ele é asgardiano e é meu irmão…

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