(The Smurfs 2, EUA, 2013)

Comédia
Direção: Raja Gosnell
Elenco: Hank Azaria, Neil Patrick Harris, Brendan Gleeson, Jayma Mays, Katy Perry, Christina Ricci, Jonathan Winters, J.B. Smoove, George Lopez, Anton Yelchin, Alan Cumming, Paul Reubens, Shaquille O’Neal
Roteiro: Peyo (personagens), J. David Stem, David N. Weiss, Jay Scherick, David Ronn, Karey Kirkpatrick
Duração: 105 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Seja através das histórias em quadrinhos do belga Peyo, seja com a série produzida pela Hanna-Barbera, os Smurfs se consolidaram como as criaturas azuis mais famosas no mundo. Até mesmo as gerações que não pertencem aos períodos em que os personagens estavam no ápice em mídias ilustradas e animadas conhecem essas criaturas que habitam residências em formato de cogumelos em uma aldeia de um mundo desconhecido. Afinal, desde que foram criados no final da década de 1950, os Smurfs se tornaram figuras presentes na cultura popular através de livros ilustrados, brinquedos e até campanhas publicitárias de alimentos.

A oportunidade de apresentar as criaturas azuis a esta geração veio com a iniciativa da Sony Pictures Animation, que confiou ao diretor Raja Gosnell a responsabilidade de fazer um longa-metragem baseado nos personagens de Peyo. Gosnell já havia encarado desafios similares anteriormente através dos dois Scooby-Doo e também com Perdido Pra Cachorro, em que personagens criados ou manipulados digitalmente interagiam com protagonistas humanos.

Apesar do sucesso mundial estrondoso, Os Smurfs não foi um filme satisfatório. Os dramas dos personagens vividos por Neil Patrick Harris e Jayma Mays, Patrick e Grace Winslow, desviavam a todo momento o nosso interesse em acompanhar as desventuras dos Smurfs em Nova York, justamente o maior atrativo da história. Felizmente, isto foi modificado em Os Smurfs 2, continuação novamente assumida por Raja Gosnell.

Desta vez, é Smurfette (dublada pela cantora Katy Perry na versão original) quem terá inúmeros dilemas explorados ao longo da história. Além de antecipar a deslumbrante experiência em 3D que o público terá ao longo do filme, um livro interativo folheado pelo Papai Smurf (voz de Jonathan Winters) nos conta as origens de Smurfette, que foi concebida através de alguns feitiços do vilão Gargamel (Hank Azaria). Mesmo com a essência Smurf, ela era bem diferente da família que a adotou: além da pele originalmente acinzentada, foi um experimento para Gargamel conquistar o mundo.

No dia de seu aniversário, Smurfette é ignorada por todos da aldeia. Mal sabe ela que tudo não passa de um plano para uma festa surpresa. O problema é que este instante em que se sente rejeitada coincide com aquele em que Gargamel planeja sequestrá-la para descobrir uma fórmula secreta para extrair a essência Smurf e, assim, ser capaz de transformar todos os habitantes da Terra em seus súditos. Para isto, o vilão convoca Vexy (voz de Christina Ricci) e Hackus (J.B. Smoove), duas criaturas também criadas por ele, com a intenção de persuadir a aniversariante.

Uma vez que Smurfette está em nosso mundo, o Papai Smurf se reencontra com Patrick e Grace, agora pais do pequeno Blue (Jacob Tremblay), para livrar a pequena das mãos de Gargamel, que agora vive em Paris. Meio sem querer, Papai Smurf recruta três ajudantes bastante inadequados para a missão: Desastrado (voz de Anton Yelchin), Zangado (George Lopez) e Vaidoso (John Oliver), trio que só acentua os desencontros de informações.

Se em Os Smurfs havia um destaque excessivo para as dificuldades de Patrick em se estabelecer profissionalmente e assim construir uma família com Grace, aqui o casal surge mais carismático ao se comprometer em auxiliar na busca por Smurfette. Além do mais, o tema família ganha uma mensagem mais adequada com a entrada de Victor, o indesejado padrasto de Patrick. O personagem é interpretado pelo grande ator irlandês Brendan Gleeson, excelente ao evidenciar tanto o lado bobalhão, quanto o mais dramático de Victor.

Porém, o grande destaque mesmo continuam sendo os adoráveis personagens azuis e, claro, Gargamel. As confusões que os Smurfs aprontam involuntariamente em Paris são divertidas e servem como grandes oportunidades para Raja Gosnell oferecer ao público um tour inesquecível em três dimensões pela deslumbrante cidade que, como sabemos, é repleta de cartões-postais. Já Gargamel permanece impagável diante da impressionante caracterização de Hank Azaria e agora se transformou em um astro mundial com apresentações de seus números de magia, um destino insólito para qualquer vilão que se preze.

O único incômodo provocado por Os Smurfs 2 é a sensação de cansaço quando as luzes do cinema se acendem. Raja Gosnell até encontra um tom mais dinâmico, mas a história parece levar um bom tempo para finalmente apresentar sua resolução. O efeito é similar àquele ocasionado por As Aventuras de Tintim, também inspirado em histórias em quadrinhos que se popularizaram através de uma série animada que apresentava e resolvia suas histórias em aproximadamente meia hora. Com quase duas horas de duração, o filme se alonga um pouco demais.

De qualquer forma, a continuação demonstra expressiva evolução diante do original produzido em 2011. Se o progresso persistir, teremos um Os Smurfs 3 imperdível.

Um Grande Momento:
Grace Winslow brincando de Audrey Hepburn.

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