(Os Pobres Diabos, BRA, 2013)

Drama
Direção: Rosemberg Cariry
Elenco: Chico Diaz, Sílvia Buarque, Everaldo Pontes, Gero Camilo, Zezita Matos, Sâmia Bittencourt, Nanego Lira, Georgina de Castro
Roteiro: Rosemberg Cariry
Duração: 98 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Em uma época onde domina o dinheiro, a pasteurização, a superação tecnológica e efeitos especiais impressionantes, quem padece é a arte. A arte pura, de encantamento simples e descomplicado ficou para trás. Entre todos, o circo é quem mais sofre com essa realidade. Shows megalomaníacos de luzes e clowns elegantes a preços exorbitantes, substituíram o medo de algo dar errado no número daquele trapezista que no intervalo te vendeu a pipoca, ou o humor ingênuo e recém maquiado daquela turma de palhaços.

Se o circo sobrevive é graças ao esforço e à garra de alguns poucos que ainda acreditam no poder de sua arte. Seu circo pode estar se desmantelando cada vez mais, a frequência pode estar cada vez menor, mas o espetáculo não pode parar. Arnaldo é uma dessas pessoas. Dono do Gran Circo Teatro Americano, ele e sua trupe andam pelo sertão do Ceará escolhendo o lugar para o próximo espetáculo.

A pobreza daquelas pessoas, que não recebem salário há um bom tempo e raras vezes têm o que comer, combina com o estado de degradação do próprio circo, com lonas rasgadas, figurinos remendados e carros caindo aos pedaços. O ínfimo público nas apresentações aumenta a melancolia causada pelo quando geral.

O sentimento acompanha toda a projeção e não diminui com as tramas paralelas, que mais comuns e generalizadas, poderiam aparecer como válvula de escape para tanta desesperança. Só mesmo quando a peça do circo é encenada e a menina Isaura as coisas ficam mais calmas.

O elenco de Os Pobres Diabos é uma atração à parte. Juntar os sempre excelentes Everaldo Pontes, Zezita Matos e Gero Camilo e dar a eles a oportunidade de encenar uma peça dentro do filme é uma das coisas que já valeria o ingresso por si. Chico Diaz e Sílvia Buarque chegam para encorpar ainda mais a equipe.

Junto com as boas atuações, o longa-metragem conta com a belíssima fotografia de Petrus Cariry, filho do diretor, e a boa trilha sonora de Herlon Robson. Tem ainda a seu favor uma das maiores qualidades de Rosemberg Cariry: sua capacidade em enxergar beleza em qualquer coisa. Pequenos detalhes, como uma arminha de bolha de sabão, resultam em composições belíssimas na mão do diretor cearense.

O espetáculo tem potencial para ser inesquecível, mas alguns problemas no desenvolvimento do roteiro e tropeços no ritmo da trama fazem com que Os Pobres Diabos seja menos do que poderia. Mas ainda assim, merece ser conhecido.

Um Grande Momento:
O Auto do Lamparina no Além

Os-pobres-diabos_destaque4

Links

No IMDb