(Les noms des gens, FRA, 2010)

Comédia
Direção: Michel Leclerc
Elenco: Jacques Gamblin, Sara Forestier, Zinedine Soualem, Carole Franck, Jacques Boudet, Michèle Moretti
Roteiro: Baya Kasmi, Michel Leclerc
Duração: 100 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

O casal central de Os Nomes do Amor não poderia ser mais contraditório. Arthur Martin já passou dos quarenta, é filho de uma sobrevivente do holocausto com um francês e batizado com o nome de uma famosa linha de eletrodomésticos é, careta, quadradão, e trabalha como especialista em doenças de pássaros.

A jovem Bahia Benmahmoud é filha de um imigrante argelino com uma francesa ativista pelos direitos sociais com quem se casou para conseguir o visto de permanência. Despojada e engajada, ela luta por uma sociedade mais igualitária e rotula de fascistas todos aqueles que não concordam com qualquer uma de suas ideologias. Como método de conversão, Baya acredita que a melhor maneira de mudar a cabeça de alguém de direita é dormindo com ele.

É assim que os dois se encontram, se apaixonam e resolvem ficar juntos, mesmo não tendo nada em comum. O brilho do filme está na liberdade de Bahia, que oferece ao espectador um sem número de situações divertidas e interessantes. O papel cai como uma luva para a atriz Sara Forestier (Perfume: A História de um Assassino), que além de convencer fisicamente como Bahia, ainda consegue trabalhar muito bem com a fúria e meiguice que constituem a personagem.

O filme conta com boas atuações, já que Forestier está muito bem acompanhada de Jacques Gamblin (Enfim Viúva) como Arthur Martin, e tem boas interações com Zinedine Soualem (O Escafandro e a Borboleta), Carole Franck (Jovem e Bela), Jacques Boudet (Adeus, Minha Rainha) e Michèle Moretti (A Guerra Está Declarada) como os pais do casal. A cena em que ela conhece os pais de Martin é sensacional.

Usando muito humor, o diretor Michel Leclerc (Anos Incríveis), que assina o roteiro do filme com Baya Kasmi (Hipócrates), fala de coisas bastante sérias, como a pluralidade do povo francês, xenofobia, preconceito étnico-religioso e até de abuso infantil. Os pontos abordados chegam sem violência ou sofrimento e são processados de um jeito mais profundo, justamente por ser esta a maneira escolhida.

Tecnicamente, Leclerc acerta ao não se entregar à estrutura linear tradicional e pelo modo como trabalha os flashbacks no filme, mesclando épocas e personagens em uma mesma passagem, fazendo com que o passado e o presente conversem a todo momento. O filme ainda tem o trabalho de arte interessante de Jean-Marc Tran Tan Ba, que abusa de cores e de elementos representativos, e uma boa montagem de Nathalie Hubert.

Mas, indo muito além, a força do longa-metragem está o roteiro, que consegue juntar tanta coisa relevante na história de um casal, mesclando definições e pré-julgamentos tão batidos e que sempre precisam ser discutidos. Aqui a opção é pela leveza, pela graça e pela força dessas duas pessoas que, de um certo modo, são a representação da França atual.

Mais do que uma comédia-romântica boba, como o nome pode indicar, Os Nomes do Amor tem tanta coisa dentro dele, que é preciso vários dias para que o filme saia da cabeça do espectador e, ainda assim, deixando muita coisa importante dentro de quem o assiste.

Um Grande Momento:
Esquecendo a roupa.

Os-nomes-do-amor

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