(The Expendables 3, EUA/FRA, 2014)

Ação
Direção: Patrick Hughes
Elenco: Sylvester Stallone, Jason Statham, Harrison Ford, Arnold Schwarzenegger, Mel Gibson, Wesley Snipes, Dolph Lundgren, Randy Couture, Terry Crews, Kelsey Grammer, Glen Powell, Antonio Banderas, Victor Ortiz, Jet Li
Roteiro: Dave Callaham (personagens), Sylvester Stallone, Creighton Rothenberger, Katrin Benedikt
Duração: 126 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Para começar, vale dizer que aquela sensação de que um terceiro filme dos Mercenários não seria boa coisa, não é equivocada.

O primeiro filme da trilogia foi legal por ser surpreendente e contar com a presença de grandes ícones do cinema (veja que dizer “grandes ícones”, não quer dizer, necessariamente, “bons atores”). Com o primeiro Mercenários, adolescentes e adultos fãs de ação se deleitaram com a presença de grande parte desses ícones em um só filme. Com o sucesso do filme, uma continuação àquilo que deveria ter acabado foi lançada. Sabe aquele pensamento de que é melhor parar enquanto está ganhando? Pois é… faltou isso aos produtores. O segundo filme deixou a desejar, mas como se não fosse o bastante, em 2014 foi lançado o terceiro.

A esperança de que um terceiro filme resgatasse ou salvasse o foco, a graça, a diversão, o sentido e a emoção de Os Mercenários original fez com que diversas pessoas fossem conferir o longa. Eu mesma, por ser fã de ação, fiquei curiosa com mais uma reunião de tantos ícones e por ter na cabeça a ideia de que, normalmente, terceiros filmes de trilogias são os melhores, fui conferir. Saí decepcionada.

O filme nada mais é do que aquilo que ouvi antes de assistir: “um roteiro antigo tentando atrair um público novo”. As piadas são divertidas e, vez ou outra, podemos dar algumas gargalhadas e até ter a estranha sensação de estar assistindo a uma continuação de Os Mercenários, mas não é nada muito duradouro.

Não sei dizer exatamente onde o diretor perdeu o foco. Talvez no excesso de ação, de explosões, de cenas jamesbondianas. Ou talvez muito antes disso: na hora de escolher o elenco. Além da participação de Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Randy Couture, Terry Crews e Arnold Schwarznegger, que já estiveram na franquia, o longa conta com a presença de Antonio Banderas, Wesley Snipes, Harrison Ford, Mel Gibson e até a lutadora Ronda Rousey.

Bom, não menos do que o esperado, os melhores atores foram os que apareceram menos. Antonio Banderas e Mel Gibson estão apagados, e, não, a Ronda Roussey não nasceu para atuar. A participação da invicta campeã de MMA pode ter empolgado, mas confesso que, depois do filme, tive a certeza de que prefiro vê-la de cara feia no ringue do que tentando fazer cara de choro no telão.

Cabe ressaltar a total ausência de aproveitamento do talento original das pessoas. Se Statham tem o talento para fazer cara de mau, deixe ele fazendo cara de mau. Se Ronda tem talento pra lutar, coloque ela em cenas de luta. Se o Antonio Banderas, o Mel Gibson, o Harrison Ford e o Terry Crews têm talentos interpretativos, coloque mais cenas com eles e explore este talento. Mas, tudo bem… o diretor quis inovar e isso atraiu a curiosidade das pessoas. Vamos lá.

A trama de Os Mercenários 3 gira em torno da relação de Sylvester Stallone com sua equipe. No começo, com a ajuda do mestre das facas Christmas (Jason Statham), o volátil e alcoólatra Gunner (Dolph Lundgren), o especialista em demolição Toll Road (Randy Couture) e o perito em bombas Hale Ceasar (Terry Crews), sua antiga equipe, Barney (Stallone) resgata Doc (Wesley Snipes) da prisão. Depois disso, ele vai cumprir uma missão que Max Drummer (Harrison Ford) lhe passou e descobre que seu inimigo não é ninguém mais do que Stonebanks (Mel Gibson), um ex-Mercenário que traiu e matou vários de seus amigos, foi dado como morto e agora virou traficante de armas.

Em uma tentativa fracassada de colocar um pouco de drama ao filme, Barney se desvincula da antiga equipe e contrata novos (em todos os sentidos) integrantes. Não preciso nem falar da frustração que é ver Terry Crews participando só de uma cena do filme e a forçação de barra que foi colocar Statham, Dolph Lundgren, Randy Couture e Stallone sofrendo (alguns com cara tão repuxada que sequer conseguem fazer cara de choro). A nova equipe, recrutada por Barney, com a ajuda de seu amigo Bonaparte (Kesley Grammer) contava com John Smilee (Kellan Lutz), um ex-marinheiro que participa de lutas de rua para ganhar dinheiro; Luna (Ronda Roussey) que não é só bonita, mas também é especialista em combate corpo-a-corpo – acredite, esse clichê está presente no filme; Thorn (Glen Powell), um veterano de combate e hacker, e Mars (Victor Ortiz), um franco-atirador.

Após recrutar a nova equipe e algumas cenas de ação, o vilão Stonebanks consegue, previsivelmente, causar uma reviravolta na missão de Barney e sequestra os quatro novos companheiros do líder dos Mercenários. É aí que Galgo (Antonio Banderas), um personagem de mais idade, ex membro das Forças Armadas da Espanha, veterano de guerra da Bósnia e atirador profissional, entra na equipe, para tentar resgatar os sequestrados. Sabendo que a missão falhou e não aguentando mais o tédio de ficar fora de ação, os antigos membros dos Mercenários também aparecem, dizendo que vão ajudar Barney. Comovente. Só que não.

A partir daí, todos já sabem o que acontece: muitas explosões, cenas violentas, e uma vontade enorme de rir ao se deparar com cenas tão mal feitas e forçadas.

Os fãs da trilogia podem até me odiar depois disso, mas tudo que pude dizer ao final da sessão foi: “previsível e muito menos divertido do que eu esperava. Os Mecenários 3 nada mais é do que um filme bom para assistir em casa, sem ter que se dar ao trabalho de ir ao cinema ou gastar dinheiro com o ingresso”.

Um Grande Momento:
Não tem.

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