(Die Fälscher, AUT/ALE, 2007)

O holocausto é, sem dúvida, um dos temas mais recorrentes no cinema atual. São tantos filmes que o assunto começou a ser uma restrição e ao invés de curiosidade, causa preguiça. O que ainda nos faz ir ao cinema são filmes como Os Falsários que conseguem escolher recortes interessantes de uma mesma história que já conhecemos tão bem.

Ainda que se passe em um campo de concentração, o filme se concentra não exatamente no extermínio dos judeus, mas em uma questão humana que simplesmente não consegue ser respondida: Até que ponto é aceitável garantir a própria vida sabendo que você está ajudando a manter um sistema que mata milhares de pessoas?

O filme conta a história de Salomon Sorowitsch (Karl Markovics), um habilidoso falsário alemão que mesmo preso antes do início da guerra, por ser judeu, é levado ao campo de concentração Sachsenhausen para chefiar uma equipe que produzirá libras e dólares falsos para desestabilizar os inimigos econômicamente e financiar a já falida Alemanha.

O conhecemos no pós-guerra, em Monte Carlo depois de ter perdido dinheiro em um cassino. A partir daí a história é contada em flashback e nos leva à Berlim de antes da guerra, onde o bon-vivant Salomon, ou Sally, fazia e acontecia com suas muitas falsificações.

A ligação com o campo de concentração, ao som do famoso tango “Mano a Mano”, de Carlos Gardel, é perfeita e a atuação de Markovics entre essas duas realidades tão distintas é fantástica.

O resto do grupo de escolhidos pelos nazistas tem pintores, tipógrafos e outros que, por seu trabalho, tinham regalias impensáveis em um campo de concentração como direito a banhos semanais, roupas comuns e camas com bons colchões, lençois e travesseiros.

A tensão e o medo estão presentes em todos os momentos e se temos de um lado Sally tentando sobreviver a qualquer custo, de outro temos o marxista Adolf Burger (August Diehl) que, contrário à ajuda aos nazistas, resolve sabotar o esquema.

As atuações são fundamentais para o sucesso do filme. Se Markovics contrói um personagem contido e discreto, Diehl é justamente o oposto, apaixonado e sentimental e os dois juntos em cena, se enfrentando, ficam na memória. Do lado dos nazistas outro que chama a atenção interpretando o cínico nazista Frederic Herzog é Devid Striesow (A Queda).

Foi com estas interpretações e uma produção econômica que Stefan Ruzowitzky contou uma história que diz muito mais do que outros filme do tema e que não cai na armadilha da apelação dos últimos exemplares do gênero como O Menino do Pijama Listrado, O Leitor e O Homem Bom e nem fica se prendendo a cenas chocantes.

A trilha sonora, mesmo parecendo estranha, casa muito bem com o filme e o uso de um trecho de Tosca é perfeito para demonstrar o clima do filme, já que conta uma outra história de traição e esperança.

Um excelente filme para demonstrar que, por mais explorado que seja um tema, sempre existem possibilidades criativas de voltar a ele sem cansar o espectador e, o melhor, contando excelentes histórias.

Merece ser conferido.
Um Grande Momento
A conversa entre Sally e a esposa de Herzog.

Logo-Oscar1Oscar 2008
Melhor Filme em Língua Estrangeira

Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Oscar
: Filme Estrangeiro

Festival de Berlim: Urso de Ouro

Links

Drama
Direção: Stefan Ruzowitzky
Elenco: Karl Markovics, August Diehl, Devid Striesow, Martin Brambach, August Zirner, Veit Stübner
Roteiro: Adolf Burger (livro), Stefan Ruzowitzky
Duração: 98 min.
Minha nota: 8/10