(Los amantes pasajeros, ESP, 2013)

Comédia
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Javier Cámara, Carlos Areces, Raúl Arévalo, Antonio de la Torre, Hugo Silva, Miguel Ángel Silvestre, Laya Martí, Guillermo Toledo, José Luis Torrijo, Lola Dueñas, Cecilia Roth, Paz Vega, Blanca Suárez, Penélope Cruz, Antonio Banderas
Roteiro: Pedro Almodóvar
Duração: 90 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

“Vem aqui, Espanha, que eu vou te sacanear!” Esse é o texto que deve ser lido na abertura do novo filme de Pedro Almodóvar, Os Amantes Passageiros, que, ao som de uma versão bem diferente de “Para Elise”, de Beethoven, escancara na tela um letreiro que afirma que tudo que será visto na tela é apenas ficção.

Retrato de um país em crise, uma classe econômica dopada dorme sem preocupações enquanto o avião em que está anda em círculos, sem poder seguir em frente e sem lugar para pousar. Enquanto isso, na classe executiva, a daqueles que têm o poder, todos sabem o que está acontecendo, mas, individualistas, só se preocupam superficialmente.

Enquanto o povo dorme, é na classe superior que a trama se concentra, misturando os comandantes apáticos, os bobos da corte que servem os “diferenciados”, o banqueiro corrupto, o ator celebridade, a prostituta de luxo, a que ganha dinheiro com a fé alheia, o especialista em segurança e o traficante de drogas.

Se fosse só pela metáfora, diga-se de passagem, sensacional, o filme seria uma daquelas experiências obrigatórias, mas não é bem assim. Pedro Almodóvar tenta, de maneira meio desastrada, voltar àquele humor que fazia no começo de sua carreira. Nada contra isso, mas a falta de atualização compromete.

Além disso, há um desequilíbrio de ritmo pouco comum nas obras do diretor espanhol e que deixa o filme mais cansativo do que divertido. O sorriso (por muitas vezes riso mesmo) não consegue se manter por muito tempo e demora demais para acontecer de novo. Para piorar, nesses bolsões muita coisa é repetida e pouca é realmente aproveitada.

Claro que, por ser Almodóvar, há muita coisa divertida, como a demonstração de segurança e a confusão dentro da cabine, e seu exagero escrachado. Tudo com uma assinatura bem clara, desde o desenho de produção de Antxón Gómez (A Pele Que Habito) até o ótimo elenco, formado por colaboradores constantes do diretor, como Ceciia Roth (Tudo Sobre Minha Mãe), Lola Dueñas (Abraços Partidos), Javier Cámara (Má Educação), Paz Vega (Fale com Ela), Antonio Banderas (Ata-me!) e Penélope Cruz (Volver).

É uma pena que não consiga se manter por muito tempo, mas Os Amantes Passageiros tem um mérito que ninguém pode tirar dele: o filme é uma crítica interessantíssima, que consegue encontrar naquela figura do avião desgovernado com figuras tão peculiares a metáfora perfeita para um país em crise que, por acaso, é a Espanha, mas acaba se adequando a tantos outros na mesma ou em pior situação.

Um Grande Momento:
A classe econômica treinando a posição de emergência.

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