(Olmo e a Gaivota, DNK/BRA/FRA/POR/SWE, 2015)

Documentário
Direção: Petra Costa, Lea Glob
Elenco: Olivia Corsini, Serge Nicolai
Roteiro: Petra Costa, Lea Glob, David Barker, Moara Passoni, Martha Kiss Perrone, Marie Regan, Franz Rodenkirchen
Duração: 87 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Quando surgiu a ideia de fazer um documentário com a atriz italiana Olivia Corsini, o projeto previa falar sobre um dia na vida de uma mulher, suas reflexões, suas realizações e sua percepção da própria vida. Porém, um imprevisto mudou a proposta original. A atriz descobriu que estava grávida e o documentário virou uma espécie de diário dessa jornada, sem deixar para trás algumas das ideias originais.

Outras mudanças no direcionamento do longa também acontecem quando se descobre que a gravidez era de risco e um repouso forçado tira Olívia de sua rotina e da turnê que seu grupo de teatro faria para apresentar a peça A Gaivota, de Anton Tchekhov, em Nova York e Montreal.

Visualmente belo, o longa-metragem dirigido em parceria pela brasileira Petra Costa (Helena) e pela dinamarquesa Lea Glob acompanha os nove meses da gestação, da descoberta com um exame de farmácia até os últimos dias da gravidez.

Com formato de diário, com espaço para divagações sobre a vida, envelhecimento, frustrações, inseguranças e memórias, Olmo e a Gaivota mistura cenas do cotidiano da atriz e seu marido com várias cenas de arquivo, de maneira funcional e pouco invasiva. Dando ao produto final uma homogeneidade interessante.

A confusão entre a determinação do alcance do que é documental ou não também é curiosa. É como se uma caixa ficcional fosse preenchida apenas com conteúdo real, como se todos aqueles pensamentos e divagações de Olívia surgissem aleatoriamente, mas seguissem um caminho determinado.

Por ser um documentário e seguir alguns passos do tradicional, a interação de Petra com o cotidiano do casal, alterando cenas do convívio diário, é diferente. O escancaramento da intromissão chama a atenção por seguir uma trilha bastante diversa do gênero. O fato de serem dois atores e da possibilidade de estarem sempre encenando também.

Sem dúvida, muito da força do longa-metragem está em sua personagem principal e em sua relação com o marido Serge, também ator teatral. A naturalidade da relação ou das constatações individuais, captadas em diversos momentos, é o que o filme tem de melhor.

Uma bela experiência.

Um Grande Momento:
As rugas.

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