(Secret in Their Eyes, EUA, 2015)

Suspense
Direção: Billy Ray
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Nicole Kidman, Julia Roberts, Dean Norris, Alfred Molina, Joe Cole, Michael Kelly, Zoe Graham
Roteiro: Juan José Campanella, Eduardo Sacheri (filme), Billy Ray
Duração: 111 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Entre as desnecessidades conhecidas da indústria cinematográfica estadunidense está o hábito de adaptar, com uma frequência acima da aceitável, filmes estrangeiros que fizeram algum sucesso. São várias as facilitações nessas adaptações, como se tudo precisasse ser explícito e explicado demais, mas sem abandonar marcações de cenas e momentos que dão personalidade ao filme original. O resultado, quase sempre, é uma espécie de Frankenstein pouco eficiente.

Entre essas adaptações está Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes, no original), do belo e instigante thriller argentino O Segredo dos seus Olhos, lançado em 2009, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010 e ainda fresquíssimo na cabeça daqueles que o assistiram.

Diferente do que acontece normalmente com adaptações, percebe-se no filme de Billy Ray (Quebra de Confiança) uma vontade muito grande de inventar em cima do que já existia antes e não apenas simplificar a trama. A história ganha mudanças substanciais ao dar protagonismo a um personagem secundário na versão original, e não se poupa de tentativas de regionalização, como a inserção de investigações a possíveis células terroristas.

Porém, sem abandonar vários planos e sequências do original, além de forçar a barra enormemente para convencer com um relacionamento frustrado que, diferente do original, não traz absolutamente nenhuma reação a quem assiste ao filme, a não ser o estranhamento.

Perdido entre as relações dos personagens – com flashbacks muito mal elaborados – e as péssimas justificativas, Olhos da Justiça não consegue se estabelecer como suspense – fato bastante agravado por quem viu O Segredo de Seus Olhos e sabe exatamente o que vai acontecer – e muito menos como drama.

Em sua tentativa de inovar, é como se o diretor montasse aquele quebra-cabeças que ganhou de presente forçando as peças no lugar errado e formando uma figura que não faz muito sentido.

O filme ainda tem problemas graves com o elenco. Enquanto Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão) e Nicole Kidman (Os Outros) não têm química nenhuma para viverem o casal Ray e Claire; Alfred Molina (Educação) exagera na canastrice como o promotor chefe do local, assim como Michael Kelly (A Troca), como o funcionário do mês.

Para não dizer que tudo em Olhos da Justiça é ruim, salva-se Julia Roberts (Closer: Perto Demais) em uma atuação convincente como a policial Jess, ex-parceira e amiga íntima do protagonista Ray. Mas que ainda é refém de um personagem mal estruturado.

Um filme fraco e sem muito rumo, que reafirma a insignificância de muitas das tantas versões que Hollywood gosta de fazer por aí. Insignificância essa que não combina, em absoluto, com o filme original.

Um Grande Momento:
Achando Carolyn.

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