(Flight, EUA, 2012)

Drama
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Denzel Washington, Nadine Velazquez, Tamara Tunie, Kelly Reilly, John Goodman, Don Cheadle, Bruce Greenwood, Melissa Leo, James Badge Dale
Roteiro: John Gatins
Duração: 138 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Depois de mais de uma década dedicado a longas de computação gráfica, Robert Zemeckis retorna às tradicionais produções de live action, filmando atores reais em cenários reais e situações menos controladas. Neste retorno ele conta com uma preciosa participação de Denzel Washington como protagonista e com um potencialmente interessante roteiro do também ator e diretor John Gatins.

O filme conta a história de Whip Whitaker, um piloto que consegue controlar um avião em queda livre e evitar dezenas de mortes, mas precisa enfrentar seus vícios e mentiras depois do acidente. O interessante do roteiro está justamente na abordagem do dilema do protagonista. No universo da aviação civil, onde, em casos de acidente, há sempre um jogo escuso entre acusações e provas de falha mecânica e falha humana, a vida desregrada de Whip conta e muito. Ao mesmo tempo, individualmente, a consciência de sua capacidade profissional faz com que o piloto se afunde nas mentiras que vem contando para si mesmo há anos, mas que agora assumem outra proporção.

Claro que, pelo tema, há um quê de moralismo, mas não é ele que incomoda. Desde o começo, há uma certa desconfiança do roteirista na enormidade e no peso de contradições e complexidades tão humanas. Quando aposta em uma história paralela para trazer uma personagem importante à trama que, diferente do protagonista, consegue seguir adiante, ou quando faz uso de situações inverossímeis e quase fantásticas para provar o seu ponto, John Gatins deixa escapar pelas mãos uma chance verdadeiramente interessante de contar uma boa história. As sequências finais, depois da gratuita e milagrosa passagem da porta, são um emaranhado de clichês e uma demonstração dessa perda de rédeas.

Depois do envolvimento que o filme naturalmente provoca, a frustração pode ser grande, mas ainda assim não consegue apagar cenas realmente interessantes, como a do desastre, precisa e direta, ou a reunião improvisada na escada do hospital, com diálogos marcantes e uma participação especialíssima de James Badge Dale como um dos pacientes do local.

Denzel Washington, que tem interpretado papéis de menor projeção ultimamente, volta aos holofotes vivendo Whip, papel que lhe rendeu, inclusive, uma indicação ao Oscar de melhor ator. Seu trabalho é uma das poucas coisas que se mantém do começo até o final do filme e passeia por esses deslizes e facilidades do roteiro sem parecer noticiá-los. O que, por si só, já é muita coisa.

Ainda que seja imperfeito, o filme tem aquela velha capacidade já conhecida de Robert Zemeckis de envolver o espectador. Com trilhas incidentais marcantes e muita habilidade na construção das cenas, o diretor de clássicos como De Volta para o Futuro e Forrest Gump – o Contador de Histórias sabe como unir imagem e som para impressionar e criar vínculos com a história que conta. Que o digam os quase oito minutos em queda livre do boeing.

Ainda que tenha um final melhorzinho do que Revelação, O Voo fica devendo muito a outros títulos da filmografia de Zemeckis e isso incomoda mais quando se percebe o potencial de sua história, estragado pela falta de coragem em enfrentar uma solução mais elaborada.

É bom ter Zemeckis novamente filmando “de carne e osso”, mas talvez seja prudente o diretor permanecer com histórias mais fantásticas e fantasiosas como as do começo de carreira.

Um Grande Momento:
A conversa na escada.

O-Voo

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