(The Fighter, EUA, 2010)

Drama
Direção: David O. Russell
Elenco: Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy Adams, Melissa Leo, Mickey O’Keefe, Jack McGee, Melissa McMeekin, Bianca Hunter, Erica McDermott
Roteiro: Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson, Keith Dorrington
Duração: 116 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Em teoria literária, quando se fala em conto, uma das características do gênero é a habilidade de contar uma história quando na verdade ser quer contar outra. Em O Vencedor, o diretor David O. Russell demonstra grande habilidade em ir de um ponto de vista a outro, mantendo ainda a unidade de uma história repleta de camadas.

O história do filme, baseada em fatos reais, é a da vida dos irmãos Dicky (Christian Bale) e Micky Ward (Mark Wahlberg). Ambos tentam manter a união de sua complicada e desestruturada família, enquanto precisam encarar a difícil carreira na divisões menores do boxe.

Um canal está fazendo um documentário sobre Dick. Segundo ele, trata-se da história de sua volta triunfal aos ringues. Desde que “derrubou” Sugar Ray, em seu maior momento de glória, o boxeador mergulhou no mundo das drogas. Na verdade, este é o motivo de o estarem filmando. Nada é aquilo que parece, assim como o nocaute em Sugar Ray, segundo alguns, não passou de um escorregão do grande campeão, Dicky é a “estrela” de um documentário sobre viciados em crack.

Enquanto isso, Micky, o irmão, cresceu e vive ainda na sombra do irmão que, embora problemático, possui enorme carisma entre os moradores do bairro e principalmente entre as irmãs e a mãe superprotetora.

Após várias derrotas e uma carreira até então inexpressiva, Micky recebe uma boa proposta de luta e uma oportunidade de disputar o título da categoria. Nessa hora é que Micky terá de tomar decisões, romper com aqueles que não lhe levam a sério e, pela primeira vez, seguir seu caminho.

Mais do que um drama sobre superação no esporte, O Vencedor é também a história de uma família e de um homem que precisa cumprir com o seu destino, tomando as rédeas de sua vida sem abandonar ou magoar aqueles que tanto lhe amam, mesmo que esses sejam também aqueles que tanto lhe atrapalham.

O diretor David O. Russel, de Três Reis e O Lado Bom da Vida, constrói um drama realista e áspero, aproximando-se e se distanciando de diferentes focos, diferentes visões de uma mesma história, num tom às vezes documental que, no entanto, não interfere no ritmo do longa.

O mesmo realismo é visto nas cenas dentro do ringue. Não há glamour ou heroísmo, pois o que a história dos irmãos Ward quer nos contar é a história de quem verdadeiramente luta, batalha e vence, mesmo quando perde.

Essa mistura de focos e, principalmente, de importâncias e intensidades na trama, pode ser muito bem observada no elenco. Mark Wahlberg é o protagonista tímido, que quase se recusa a ter o papel principal, cedendo espaço ao irmão problemático que Christian Bale representa muito bem, com trejeitos largos e tensos, carisma, fraquezas e defeitos, mesclando aquilo que há de mais humano e, por assim dizer, contraditório num mesmo personagem. Neste trabalho o ator Christian Bale demonstra mais uma vez o seu poder de transformação na pele do esquelético Dick.

Paralelo a esses dois e tão intensa quanto está Alice Ward, interpretada por Melissa Leo. Alice tenta, através de uma proteção explícita de Dick, esconder o seu fracasso como mãe desequilibrada e totalmente despreparada. Tais características, que são berrantes, só podem ser notadas graças ao excelente trabalho da atriz, que, assim como Bale, levou o Oscar de coadjuvante em 2011.

David O. Russell consegue com O Vencedor apresentar uma proposta interessante e, principalmente, diferente do que se espera de filmes de superação no esporte ou na vida. Algo que não aconteceu em Três Reis e, muito menos, com seu mais recente trabalho: O Lado Bom da Vida.

De início a direção de O Vencedor estava nas mãos de Darren Aronofky que, por motivos de agenda, não pôde seguir com o projeto. Mesmo assim, seu nome e, principalmente, a sombra de seu estilo parecem ter influenciado O. Russel, que teve aqui um ponto fora da curva em sua carreira apenas modesta como diretor.

Um Grande Momento:
A exibição do documentário sobre Dick.

Oscar 2011
Melhor Ator Coadjuvante (Christian Bale), Melhor Atriz Coadjuvante (Melissa Leo)

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