(The Last Airbender, EUA, 2010)

Ação
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: Noah Ringer, Dev Patel, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Shaun Toub, Aasif Mandvi, Cliff Curtis, Seychelle Gabriel, Katharine Houghton
Roteiro: M. Night Shyamalan
Duração: 103 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Era uma vez um jovem e desconhecido diretor com um excelente suspense nas mãos sobre um menino que conseguia ver pessoas mortas e um psiquiatra especializado em traumas infantis. Um conjunto positivo de atuações, direção de arte, trilha sonora, roteiro, montagem e som transformou o filme em um dos preferidos do gênero e o tal diretor passou a ser admirado por muitos, ainda que tropeços colossais seguissem sua filmografia.

Parece que até então, mesmo depois de ser o responsável por filmes como Fim dos Tempos, A Dama na Água, A Vila, Sinais e Corpo Fechado, seu título de estreia, O Sexto Sentido, conseguiu enganar muita gente quanto à sua habilidade. E defender Shyamalan virou esporte favorito de muitos. Pequenos acertos perdidos em péssimos filmes não fazem de ninguém um grande diretor, mas o que seria do mundo sem a pirraça, não é mesmo?

Com toda a sua pseudogenialidade, o diretor indiano criado nos Estados Unidos resolveu se aventurar no mundo das adaptações e escolheu um dos melhores desenhos animados estadunidenses da atualidade para abusar de efeitos especiais e tentar contar uma história.

Ainda que salvo, pelo menos à primeira vista, das habituais lições de moral e tentativas antropológicas, O Último Mestre do Ar fracassa de maneira redundante e, se é chato e ruim para quem não teve oportunidade de ver a série animada, é uma tortura para os fãs de “Avatar – A Lenda de Aang”.

A impressão é de que Shyamalan usou a história básica, nomes, locais e algumas definições, mas sequer assistiu a um dos episódios do desenho criado por Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko.

Com o mundo dominado pela Nação do Fogo, os povos de outras duas nações, Terra e Àgua, precisam se unir ao último integrante da Nação do Ar para restabelecer a paz. O escolhido é um menino de doze anos, Aang, o avatar. Ele consegue controlar todos os quatro elementos para que ajam de acordo com sua vontade e, em sua jornada, conta com a amizade do casal de irmãos Sokka e Katara e de seu enorme e esquisito animal voador.

Se a magia e ação estão sempre juntas no desenho, no filme a segunda prevalece claramente. O fato de a maioria dos personagens ser de crianças também é completamente esquecido e, sem a descontração e características infantis que dão leveza à história, nada parece fazer muito sentido.

Com emoção e paixão de menos, o filme vira um apanhado de lutas de elementos com coreografias rebuscadas e só. Muitos efeitos especiais, um elenco infantil competente e flashbacks explicativos disfarçados de meditação tentam segurar o espectador, que até se deixa levar pelo visual, mas segue até o final completamente desconectado da história.

É triste ver como algo tão interessante pode se transformar em um filme tão cansativo e raso. E, depois de muitas cenas megalomaníacas e estratégias de roteiro tão batidas que já não funcionam mais, fica a pergunta: até quando vão acreditar em Shyamalan? Quantos filmes irregulares e ruins ele ainda terá que assinar para ser descoberto?

Porque bons diretores podem até errar de vez em quando e ter em sua filmografia alguns títulos que, apesar de poucos acertos aqui e ali, são ruins. Ao contrário, maus diretores dificilmente acertam mais de uma vez.

Um Grande Momento

As coreografias das lutas.

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