(O Roubo da Taça, BRA, 2016)
Comédia
Direção: Caito Ortiz
Elenco: Taís Araújo, Paulo Tiefenthaler, Danilo Grangheia, Milhem Cortaz, Thelmo Fernandes, Leandro Firmino, Fabio Marcoff, Stepan Nercessian, Otto Jr., Hamilton Vaz Pereira, Pedro Wagner
Roteiro: Caito Ortiz, Lusa Silvestre
Duração: 90 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Uma das histórias mais estapafúrdias da nossa História é a do roubo da Taça Jules Rimet. Entregue à primeira seleção a conquistar três Copas do Mundo, a máquina brasileira de 1970, a taça ficava exposta na sede da CBF, enquanto uma réplica de ouro estava guardada no cofre.

Mesmo sem ter certeza do que aconteceu com o troféu, a versão tida como definitiva é a de que ela foi derretida pelos bandidos. Uma história real tão nonsense como essa não poderia ficar fora das telas de cinema. Produzido pela Netflix, O Roubo da Taça, dirigido por Caito Ortiz (Motoboys: Vida Loca), chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira e traz ao público aqueles fatos verídicos envoltos em uma história divertida e cheia de licenças poéticas.

Narrado por Dolores, personagem de Taís Araújo (Garrincha: Estrela Solitária), o longa-metragem foca sua história em Peralta, vivido por um inspirado Paulo Tiefenthaler (Trinta). Malandro de carteirinha, esse funcionário de uma empresa de seguros não fica constrangido em inventar desculpas para faltar ao trabalho e estar sempre dentro do prédio da CBF, além de estar sempre envolvido em roubadas.

Há muita coisa interessante no filme. A situação político-econômica do Brasil e a trégua ocasionada pela sensacional seleção de 1982, em uma passagem rápida, é ótima. Além disso, todo o dilema de Peralta como fanático por futebol – tinha que ser flamenguista, é claro – com a taça e a relação familiar com o parente poderoso dão pano para muita manga.

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Indo e voltando no tempo, já que é narrado em flashback e tem outra interferência para explicar a presença da dupla Peralta e Borracha em frente a Jules Rimet, o filme encontra alguns problemas na fluidez da narrativa, mas nada que não seja superado pelo humor impresso pelo carioca Ortiz e pela comicidade do próprio acontecimento.

Ainda que a dicção atrapalhe aqui e ali, o trabalho dos atores é ótimo. Todos estão integrados na história e sabem bem os momentos onde exageros são permitidos. O bom texto, escrito pelo próprio diretor e por Lusa Silvestre (Mundo Cão), facilita as atuações.

Além disso, o bom trabalho de Fábio Goldfarb (Família Vende Tudo) na reconstituição de época e o uso de imagens de arquivo, ajudam na criação do clima que permanece até o fim do filme. Claro que o excesso de merchandising incomoda, tem marcas demais aparecendo sem muita discrição e a insistência em uma novela, que realmente marcou época, mas aqui passa da conta.

O Roubo da Taça tem lá os seus problemas, mas é um filme leve, que consegue despertar uma nostalgia gostosa e ainda provocar umas boas risadas. É o típico programa despretensioso que diverte bastante.

Um Grande Momento:
Café da manhã.

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