(The Revenant, EUA, 2015)

Aventura
Direção: Alejandro González Iñárritu
Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Poulter, Forrest Goodluck, Paul Anderson, Kristoffer Joner, Joshua Burge
Roteiro: Michael Punke (romance), Mark L. Smith, Alejandro González Iñárritu
Duração: 156 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Por mais incrível que pareça, a história de Hugo Glass, o caçador e negociante de peles abandonado pelos companheiros após um ataque de urso, é real. Depois de ser tema do filme Fúria Selvagem em 1971, volta agora às telas com O Regresso, dirigido por Alejandro G. Iñárritu (Biutiful) e com Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street) no papel principal.

Com uma estética diferente da habitual, o diretor mexicano vai buscar na aura metafísica de Terrence Malik (Amor Pleno) a ambientação para sua história. Tanto que chama o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki (O Novo Mundo), o desenhista de produção Jack Fisk (Além da Linha Vermelha) e a figurinista Jacqueline West (Árvore da Vida), antigos colaboradores do diretor filósofo para trabalharem com ele. Mas para ser Malik é preciso ter profundidade, dilema e etéreo, coisas ausentes ou mal trabalhadas em O Regresso.

O longa-metragem tenta assumir então o posto de faroeste revisionista, como aqueles produzidos após os anos 1970, voltando-se principalmente às questões de embate contra os índios e a vida no Oeste selvagem. Ainda que a tendência seja percebida em algumas passagens, também não há nada que dure muito tempo.

Perdido entre as vagas intenções do diretor, o filme acaba sendo só mais uma história de vingança. Muito bem filmada, muito bem coreografada, mas bastante cansativa. Por mais de uma vez, a impressão que se tem é a de que Iñárritu esquece-se da história para deixar claro toda a sua competência como cineasta. O que, claro, acaba funcionando de maneira oposta.

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Em quase três horas de filme, vários acontecimentos compõe a jornada de Glass em busca de vingança. A história, levemente alterada para aumentar a motivação do protagonista, é até interessante e consegue despertar a curiosidade de quem assiste ao filme, mas encontra muitas dificuldades nos exageros da direção e algumas outras na previsibilidade que toma conta do roteiro, escrito pelo próprio Iñárritu e por Mark L Smith (Temos Vagas), depois da metade do filme.

Na parte das atuações, Leonardo DiCaprio realmente está muito bem como Glass, mas nada que seja tão impressionante assim. Embora viva situações limítrofes, o ator já foi mais exigido em performances anteriores. O mesmo se aplica a Tom Hardy (Locke), principal antagonista de Glass. Destoando de ambos, aparece Domhnall Gleeson (Ex Machina: Instinto Artificial), que parece não ter compreendido seu personagem e destoa dos colegas de elenco.

O desacerto se segue também em outros aspectos técnicos. O filme conta com uma boa montagem de Stephen Mirrione (Jogos Vorazes), mas é bastante comprometido pela trilha sonora manipuladora e excessiva de Ryuichi Sakamoto (O Último Imperador). Os efeitos visuais também são impressionantes, principalmente na criação do urso.

Com erros e acertos, perdido em muita neve, lutas entre brancos e índios, e nas tentativas de conexão com o sobrenatural, o que fica mesmo de irretocável em O Regresso é a criatividade com que se filma a história. A iluminação arriscada somente com luz natural, os enquadramentos e movimentos de câmera de merecem todas as reverências que vêm recebendo.

No mais, é um filme cansativo, onde Iñárritu, mesmo depois do bom Birdman, tenta insistentemente demonstrar uma capacidade que ainda não tem. E de maneira histérica e opressiva.

Um Grande Momento:
O ataque do urso.

Oscar-logo2Oscar 2016 (indicações)
Melhor Filme, Melhor Direção
Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Ator Coadjuvante (Tom Hardy)
Melhor Fotografia (Emmanuel Lubezki), Melhor Desenho de Produção (Jack Fisk e Hamish Purdy), Melhor Figurino (Jacqueline West), Melhor Maquiagem e Penteado (Sian Grigg, Duncan Jarman e Robert A. Pandini), Melhores Efeitos Visuais (Richard McBride, Matt Shumway, Jason Smith e Cameron Waldbauer)
Melhor Montagem (Stephen Mirrione), Melhor Mixagem de Som (Jon Taylor, Frank A. Montaño, Randy Thom e Chris Duesterdiek), Melhor Edição de Som (Martín Hernández e Lon Bender)

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