O Que Eu Mais Desejo

(Kiseki, JPN, 2011)

Drama
Direção: Hirokazu Kore-eda
Elenco: Koki Maeda, Ohshiro Maeda, Nene Ohtsuka, Kirin Kiki, Yui Natsu Kawa, Masami Nagasawa, Joe Odagiri, Isao Hshizume, Hiroshi Abe e Yoshio Harada
Roteiro: Hirokazu Kore-eda
Duração: 122 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

A grande diferença entre adultos e crianças é a ingenuidade com que encaram as coisas. Nos tornamos adultos incrédulos, mas quando crianças tudo é possível. Sonhos e desejos podem ser realizados o tempo todo.

No imaginário infantil, alguns milagres precisam de condições especiais para acontecer e Koichi, um menino que mora com sua mãe e avós maternos em Kagoshima, deseja que o vulcão de sua cidade entre em erupção, fazendo com que todos saiam de lá, para poder se reunir com o pai e o irmão que moram em Fukuoka. Acontece que o tempo do tal vulcão é como o tempo do filme – uma levada monótona (mas bela!).

Dessa forma os irmãos Koichi e Ryu (irmãos também na vida real) precisam de uma alternativa para realizar esse desejo de estarem juntos. É aí que descobrem que um pedido feito no exato momento em que dois trens-bala se cruzam se realiza dada a incrível velocidade e energia do momento. Falando sempre ao telefone, os meninos começam a planejar uma grande aventura para cumprir a missão com outros amigos que também querem realizar seus desejos, como conseguir correr, virar uma atriz de sucesso, completar uma coleção de bonecos ou se casar com a professora.

O filme é delicado e poético, baseado em diálogos leves e divertidos. Alguns podem dizer que ele também é ingênuo, mas talvez essa seja sua melhor característica. Ao apostar em um filme com crianças “a moda antiga”, distantes de computadores, videogames e uma vida sedentária, o diretor e roteirista Hirokazu Kore-eda cria uma obra doce e singela, deliciosa de assistir e que talvez transporte alguns a uma época em que lugar de criança era na rua, tendo ideias mirabolantes.

O toque de humor e ingenuidade das crianças é algo mágico e natural, especialmente do menino Ryu, responsável pelos momentos mais engraçados do filme. É interessante também notar a relação do universo infantil e com os adultos, que são meros coadjuvantes na história.

A fotografia, muito bem explorada, tem a seu favor as belas paisagens do Japão, fazendo com que uma simples caminhada para escola seja uma bela pintura. A trilha sonora é recheada de músicas que montam esse imaginário infantil e, em alguns momentos, assumem o tom de aventura num ritmo levemente mais acelerado, mas extremamente distante das peripécias musicais de filmes americanos. A música é tão contemplativa quanto o filme.

O Que eu Mais Desejo é um alento, uma esperança de que desejos se realizam, ainda que seja no pensamento simplista de uma criança. Tanto que durante a projeção era fácil achar sorrisos e um certo brilho nos olhos dos espectadores. É possível que tenha sido essa a intenção de Kore-eda: salpicar um pouco de sonhos e esperança nesse mundo adulto tão cheio de problemas, especialmente no Japão que ainda sente os efeitos do tsunami que abalou o país há pouco mais de um ano. E ele acertou em cheio, porque nada melhor do que um sorriso de criança para alcançar o objetivo com tanto sucesso.

Sorrisos fáceis, risadas gostosas, ingenuidade na medida e belas cenas resumem perfeitamente o que é o filme.

Um Grande Momento

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