(The Gift, AUS/EUA, 2015)

Suspense
Direção: Joel Edgerton
Elenco: Jason Bateman, Rebecca Hall, Joel Edgerton, Allison Tolman, Tim Griffin, Busy Philipps, Adam Lazarre-White
Roteiro: Joel Edgerton
Duração: 108 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Depois de atuar em uma vasta filmografia, com longas para cinema, televisão e curtas-metragens, Joel Edgerton tornou-se conhecido com o surpreendente longa-metragem Guerreiro, dirigido por Gavin O’Connor, com Tom Hardy e Nick Nolte. Desde então, tem estado presente em grandes produções, como A Hora Mais Escura, O Grande Gatsby e Exôdo: Deuses e Reis.

Depois de dois curtas, O Presente é a sua estreia na direção de longas. E já se pode dizer que é uma estreia bem sucedida, contando a história de um casal que, depois de se mudar, precisa conviver com a presença constante de um estranho amigo de infância do marido, o diretor consegue trabalhar bem o suspense, contando com uma câmera segura e com um bom controle sobre seus atores.

Indo além da simplicidade do estranho assustador, tão comum no gênero, O Presente ganha forças com as reviravoltas do roteiro e com o consequente desprotagonismo, onde os papéis são invertidos e mexem com as certezas de quem assiste ao filme. Após a principal, é possível associar o longa-metragem ao filme Lua-de-Mel, embora o diretor aqui empregue uma postura mais distante e menos violenta do que a da coprodução tcheca-eslovaca.

O filme conta com o próprio Edgerton no papel do esquisitão Gordo e com Jason Bateman (Juno) e Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona) como o casal Simon e Robyn, que acabara de se mudar. Os três funcionam muito bem juntos, embora Bateman seja um pouco irregular em alguns momentos onde a atuação vai além da contenção e do estouro.

Interessante como suspense, O Presente é uma boa estreia, cheia de referências interessantes e pertinentes, e de momentos inspirados, como quando Simon resolve encerrar o assunto com Gordo e pede que Robyn saia da casa. A manutenção quase constante da história tendo como foco Robyn, explícita nesta cena, também é um boa sacada, embora falte radicalismo em sua execução.

Porém, o resultado final ainda deixa muito clara a falta de experiência do diretor em alguns aspectos. A necessidade de explicitar aquilo que já foi compreendido pelos personagens da trama e por quem assiste ao filme deixa evidente uma falta de crença no roteiro e acaba diminuindo o impacto que vinha sendo construído.

Há ainda algumas reviravoltas um pouco forçadas e passagens mais alegóricas do que precisavam ser, mas nada que comprometa radicalmente o resultado final e que faça com que não se queira acompanhar os futuros projetos de Edgerton por trás das câmeras. Muito pelo contrário.

Um Grande Momento:
A conversa interrompida

O Presente

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