(Maggie’s Plan, EUA, 2015)
Comédia
Direção: Rebecca Miller
Elenco: Greta Gerwig, Ethan Hawke, Bill Hader, Maya Rudolph, Julianne Moore, Wallace Shawn
Roteiro: Karen Rinaldi, Rebecca Miller
Duração: 98 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Dentre todas as discussões acerca do feminismo atualmente, há as denúncias dos mais variados tipos de relacionamentos abusivos. Por vezes, essa situação ultrajante não é expressa com violência física ou verbal. Um exemplo dessa dinâmica indesejável é apresentado no filme O Plano de Maggie.

Por causa de uma confusão com seus contracheques na faculdade onde trabalham, Maggie (Greta Gerwig, de O Solteirão) conhece John (Ethan Hawke, de Sete Homens e um Destino), um novo professor no campus. Ele vive um casamento infeliz com Georgette (Julianne Moore, de Para Sempre Alice), outra acadêmica, e escreve um romance cujos rascunhos começa a compartilhar com Maggie.

A aproximação literária entre os dois transforma-se em algo a mais, a ponto de a protagonista começar a colocar em cheque seu plano de ser mãe solteira. John larga a esposa e forma uma nova família com Maggie, apenas para que ela descubra que o amado é um estorvo na forma de homem. Ele não auxilia nos afazeres domésticos ou paternais e não colabora nas finanças do casal. Assim sobrecarrega a nova esposa.

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Apesar da importância desse tema central, não há muita verve em O Plano de Maggie, o contrário do que pode ser visto no perturbador Meu Rei (2015), produção francesa recente com sobre o mesmo assunto. Isso se explica, em parte, por o longa ser protagonizado por Greta Gerwig, atriz que se tornou especialista no papel de musa hipster de dramédias independentes. Além do personagem da setorista Greta, há no elenco a presença de Bill Hader (Irmãos Desastre) e Maya Rudolph (Missão Madrinha de Casamento), ex-membros do Saturday Night Live que curtem trabalhar em comédias não tão rasgadas de tempos em tempos.

Assim como fez nas últimas colaborações com o diretor Noah Baumbach em Mistress America (2015) e Frances Ha (2012), mais uma vez Greta Gerwig interpreta uma garota meio perdida, meio desengonçada, cheia de maneirismos que conquistam um público específico – e mais ninguém. A diferença é que agora está sob a batuta de Rebecca Miller (A Vida Íntima de Pippa Lee). Portanto, O Plano de Maggie traz mais do mesmo na carreira da atriz, para o bem ou para o mal.

Em um momento com tantas discussões acaloradas sobre os temas abordados, o longa funciona como um contraponto tonal por sua pegada mais suave. O problema é que isso pode soar como fraqueza, especialmente quando o diferencial do filme se sustenta exatamente em um fator que está longe de ser novidade nos papéis de sua atriz principal.

Um Grande Momento:
Como atender o interfone sem usar as mãos.

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