(O Palhaço, BRA, 2011)

Drama
Direção: Selton Mello
Elenco: Paulo José, Selton Mello, Larissa Manoela, Giselle Motta, Teuda Bara, Álamo Facó, Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Hossen Minussi, Maíra Chasseraux, Thogun, Bruna Chiaradia, Renato Macedo, Tony Tonelada, Fabiana Karla, Jorge Loredo, Jackson Antunes, Moacyr Franco, Tonico Pereira, Ferrugem, Danton Mello
Roteiro: Selton Mello, Marcelo Vindicato
Duração: 90 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆
Que Selton Mello sabe o que está fazendo atrás das câmeras já dava para perceber em Feliz Natal, sua estreia como diretor. A dúvida era se ele também se sairia bem dirigindo e atuando. O Palhaço prova que sim.

O filme conta a história de Benjamin, um palhaço de circo que se vê responsável por mais coisas que gostaria, já não sabe muito bem quem é e muito menos o que quer da vida. Junto com a trupe de seu pai e outras estranhas figuras, o palhaço viaja de cidade em cidade dando vida ao palhaço Pangaré.

O tema batido do palhaço alegre e divertido que é infeliz quando tira a maquiagem consegue ser abordado de maneira inteligente e interessante por Selton.

Simbologias interessantes como a da certidão de nascimento ou a dos ventiladores são bem mescladas em um cinema que faz questão de viajar entre os antigos filmes dos Trapalhões, a nova tendência indie e, o mais importante de tudo mantém uma distância segura da televisão.

O cuidado com a direção de arte, de Cláudio Amaral Peixoto, merece destaque por produzir um Brasil sem cara regional definida e com elementos temporais que se misturam e não permitem uma identificação.

As atuações também são fundamentais para o sucesso do filme. Há muito tempo não se via Paulo José tão solto em um papel, principalmente quando seu Puro-Sangue está no picadeiro. Selton Mello, no acúmulo de funções, ainda é melhor diretor do que ator, mas está tão entregue a seus Benjamin e Pangaré que fica bem difícil resistir à interpretação.

Ainda que não sejam regulares, as participações especiais contam com um time especial de figuras. Entre eles, Thogun, Teuda Bara, Larissa Manoela, Ferrugem, Jackson Antunes, Tonico Pereira e Moacyr Franco, sensacional como o delegado da cidade de interior.

O grupo, no mínimo curioso, de personagens confirma a cara de indie, assim como a trilha sonora, discreta mas característica, e algumas soluções da câmera. A direção de fotografia de Adrian Teijido acerta na maioria do filme, mas alguns enquadramentos pouco eficientes deixam aquela sensação de que poderiam ser evitados sem que a essência fosse modificada.

Com muito mais qualidades do que defeitos, O Palhaço é um filme cativante e indicado para todos os públicos. Mais do que a confirmação de Selton Mello como diretor promissor, é um belo resgate e uma belíssima homenagem ao mundo do circo e a todos aqueles que vivem do ofício de atuar.

Um Grande Momento

Encontro com o delegado Justo.

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