(Seeking Justice, EUA, 2011)

Ação
Direção: Roger Donaldson
Elenco: Nicolas Cage, January Jones, Guy Pearce, Jennifer Carpenter, IronE Singleton, Harold Perrineau, Xander Berkeley, Joe Chrest
Roteiro: Todd Hickey, Robert Tannen
Duração: 105 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Seguindo uma linha que já virou fetiche entre os cinéfilos de plantão, O Pacto vem aumentar a lista de péssimas escolhas que um comentado bom ator anda fazendo na vida. Já marcado por atuações negativas em produções rasteiras, Nicolas Cage pode não parecer mais, mas é um desperdício de talento. E é estranho dizer que isso está muito claro nesse longa de ação que, sem cabeças flamejantes ou previsões do futuro, ainda carece de muito acerto para chegar perto de ser bom, mas traz um Cage diferente. É como se fora do papel de salvador do mundo ou réplica mal acabada dos antigos justiceiros do cinema ele se permitisse atuar novamente.

Um professor fica desesperado depois que sua mulher é assaltada e violentada. Ainda no hospital onde ela se recupera, ele é procurado por uma organização criminosa que promete vingança em troca de um favor desconhecido e, ainda que titubeie um pouco, acaba aceitando. Desde então, entre mortes, perseguições e acidentes, sua vida vira de cabeça pra baixo.

Ainda que o argumento lembre um pouco a troca de Pacto Sinistro, de Alfred Hitchcok, as semelhanças acabam muito antes de se concretizar e o que era para ser um thriller dá lugar a mais um filme de perseguições facilmente dedutíveis e cenas de ação sem fundamento. Entre muitos buracos na trama, situações clichês e uma terrível quebra de estrutura, o que resta de bom no filme (e isso é uma surpresa) é ninguém mais, ninguém menos do que o ator mais avacalhado do momento. Num papel mais contido e menos dado aos maneirismos que viraram sua marca registrada, Cage consegue pela primeira vez depois de muito tempo não se mimetizar com o ambiente que o cerca e, mesmo entre perseguições e lutas, faz bem o professor de inglês.

O mesmo não pode ser dito do resto do elenco que tenta seguir a trama sem parecer entender muito bem o que está acontecendo. A inabilidade com o suspense, frases gratuitas e sequências de acontecimentos difíceis de engolir estão por toda parte no roteiro dos pouco experientes Todd Hickey e Robert Tannen. O diretor Roger Donaldson, em seu desejo de criar um novo filme do gênero depois de Sem Saída, e o montador Jay Cassidy (Na Natureza Selvagem) sabem disso e, preferindo fingir que não, levam o longa sem se preocupar muito com adrenalina e afins.

Sem muito a dizer e perdido em tantos problemas, O Pacto serve mesmo como uma prova ao público de que Cage ainda pode surpreender mesmo que não esteja sendo dirigido por um Herzog e ao próprio ator, de que filmes de qualidade inferior podem ter um mínimo de dedicação.

Mas alguém duvida que até o fim do ano ele volte com o cabelo ensebado, aquele biquinho e o olhar de lado momentos antes de salvar o mundo? Ah, Nick! Por quê?

Um Momento Bem Ruim

Aquela passagem do chocolate devia ser proibida.

Links

No IMDb