(Le moine, ESP/FRA, 2011)

Suspense
Direção: Dominik Moll
Elenco: Vincent Cassel, Déborah François, Joséphine Japy, Sergi López, Catherine Mouchet, Jordi Dauder, Geraldine Chaplin, Roxane Duran, Frédéric Noaille, Javivi, Martine Vandeville
Roteiro: Matthew Lewis (romance), Anne-Louise Trividic, Dominik Mol
Duração: 101 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Uma história religiosa de mistério pode direcionar o público para inúmeros caminhos, mas sempre haverá uma certeza: provavelmente há um protagonista que passará a questionar a fé que por anos preservou e pregou para fiéis. Este padrão está presente em O Monge na figura de Ambrosio, personagem vivido por Vincent Cassel.

Antes de vislumbrarmos um indivíduo de fé inabalável admirado por multidões e invejado pelos seus companheiros capuchinhos, o roteiro escrito pelo também diretor Dominik Moll e Anne-Louise Trividic (baseado no romance homônimo de Matthew Lewis) dedica um espaço para mostrar as origens de Ambrosio, abandonado ainda bebê em um monastério na Madri do século XVII e criado pelos capuchinhos que o adotam.

A solidão, as responsabilidades morais ao lidar com as confissões das freiras do convento da madre superiora interpretada por Geraldine Chaplin e as pressões em habitar durante toda a sua existência um ambiente preservado com extrema rigidez provavelmente geram as intensas dores de cabeça de Ambrosio, que tem um jardim particular para conseguir controlá-las.

A chegada de Valerio, um monge aprendiz que oculta as queimaduras de seu rosto com uma máscara amedrontadora e que possui o dom da cura, fará Ambrosio questionar suas crenças e origens ao mesmo tempo em que o tenta a pecar ao se aproximar de Antonia (Joséphine Japy), virgem que clama pela sua ajuda para consolar a mãe doente e que, até então, era presença enigmática em seus sonhos.

Alemão formado em direção em Nova York, Dominik Moll prova com seu breve currículo uma aptidão para conduzir histórias sombrias. São dele os suspenses Harry Chegou Para Ajudar e Lemming – Instinto Animal. Porém, não há em O Monge muitas qualidades que entusiasmem.

Embora consiga criar uma atmosfera sombria, algo obtido mais pela trilha sonora de Alberto Iglesias e a estética gótica alcançada pelo diretor de fotografia Patrick Blossier, do que propriamente pela direção, O Monge erra ao lançar as suas cartas mais fortes antes da hora. Isto é sentido especialmente na forma prematura como as verdadeiras intenções do misterioso Valerio são reveladas.

Além do mais, qualquer intenção de criar um discurso sobre o Bem e o Mal é banalizada pela previsibilidade das respostas dadas para as dúvidas que assolam Ambrosio. Tudo isto transforma o filme em uma espécie de versão genérica de Sob o Sol de Satã, produção também francesa vencedora da Palma de Ouro em Cannes e estrelada por Gérard Depardieu, que, por si só, já não é muito louvável.

Um Grande Momento

O jovem Valerio chega ao monastério.

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