(O Mestre e o Divino, BRA, 2013)

Documentário
Direção: Tiago Campos
Roteiro: Tiago Campos
Duração: 83 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Entre as muitas histórias pouco conhecidas do Brasil está o processo de colonização e catequização dos índios por missões estrangeiras. Ainda que alguns estudos, livros e filmes tratem do assunto, a grande parte dos brasileiros não tem ideia do que aconteceu ou ainda acontece com os nativos do nosso país.

O Mestre e o Divino, da produtora Vídeo nas Aldeias, adentra esse universo ao contar a história de dois cineastas: Adalbert Heide, o alemão missionário que queria ser índio, e Divino Tserewahú, um índio Xavante que produz filmes para a televisão e para festivais de cinema.

Por trás da disputa de ego entre os dois e da amizade desenvolvida ao longo dos anos, está uma realidade bem avessa à simpatia do que está sendo visto. Um deles faz de tudo para esconder o que há de feio e triste na realidade, assim como alguém que edita um documentário sobre si mesmo tirando as partes que não gostou, e o outro prefere deixar suas histórias no passado, intocadas.

Tiago Campos acerta ao mesclar as duas personalidades. Adalbert e Divino são duas figuras fantásticas e cheias de material a ser explorado. Além da riqueza individual de cada um deles, ambos são perfeitos para demonstrar uma visão extremamente preconceituosa, a violação de uma cultura, a imposição da fé ou a manipulação da submissão e gratidão.

O problema está no subaproveitamento do material que essas duas figuras poderiam render. O filme acaba assumindo um tom mais de encantamento e não se aprofunda em questões que mereciam um maior destaque, deixando de lado pontos negativos fundamentais para o entendimento de situações absurdas ocorridas durante o serviço missionário.

Há ainda uma excessiva vontade do diretor de deixar clara a sua participação naquilo tudo, com inserções que beneficiam mais o ego do que o resultado final. Outro problema está no prolongamento ou repetição de muitas passagens que poderiam muito bem ter deixado o filme na sala de montagem.

Não deixa de ser uma história interessante e com personagens curiosos, que merece ser vista pela maioria da população que sabe muito pouco sobre os povos indígenas. Mas que poderia ter ido mais fundo, isso poderia.

Um Grande Momento:
Os dois homens explicam o significado de Tsa’amri, nome indígena de Adalbert.

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