Pornógrafo, obsceno, doentio. Assim era chamado Russ Meyer, um dos maiores cineastas pop americanos dos anos 60 e 70. Seus filmes eram cheios de mulheres nuas, sensuais e de seios grandes – Russ Meyer materializou em seus filmes a obsessão americana por esse detalhe anatômico feminino. Motoqueiras sem profissão definida, garçonetes e strippers suspeitas, todas muito liberadas sexualmente para os padrões da época, sempre metidas em aventuras rocambolescas e alucinadas.

Morto em 2004 aos 82 anos de idade, Meyer recebeu elogios como genial, transgressor e revolucionário e entrou para a história do cinema como “Fellini do sexo” e “Eisensestein do pornô”.

De 5 a 15 de agosto, os Centros Culturais Banco do Brasil do Rio de Janeiro e de São Paulo resgatam a obra desse cineasta pouco conhecido no país com a mostra “O Melhor de Russ Meyer”, que reúne 18 de seus longas metragens. “Meyer foi um precursor dos videoclipes, com sua montagem picotada e dinâmica particular. Parecia ser um homem careta na vida particular que mostrava em seus filmes o uso de drogas, defendia o amor livre e o sexo entre mulheres”, diz o curador João Juarez Guimarães.

Meyer foi fotógrafo do Exército americano durante a Segunda Guerra e assinou alguns dos primeiros ensaios da então iniciante revista Playboy. Sua obra ficou conhecida pela extrema criatividade da montagem, a excelência dos enquadramentos e o vibrante ritmo que conseguia imprimir aos filmes de produção modesta. Suas atrizes opulentas tinham nomes como Tura Satana, Raven de la Croix e Kitten Natividade, sempre vestidas com exóticas roupas de couros.

Os títulos de seus filmes são extravagantes e apelativos. Para criar o título de Faster, Pussycat! Kill! Kill! (1965), considerado sua obra-prima, ele pensou apenas em inserir três elementos que atraíssem o público masculino: velocidade (“faster”), sexo (“pussycat”) e morte (“kill”). Simples e funcional.

Sua influência se estende por várias artes. No cinema, Pedro Almodóvar, John Waters e Quentin Tarantino reconhecem a influência de Russ Meyer em seus trabalhos – no Brasil, Carlos Reichenbach e Ivan Cardoso estão entre seus admiradores. Sua influência alcançou a música (Sex Pistols), a fotografia (Helmut Newton, Richard Kern), a moda (Jean-Paul Gauthier e Thierry Mugler, com seus figurinos de inspiração sadomasoquista) os e quadrinhos (Robert Crumb).

Se na época de seu lançamento os filmes de Russ Meyer estreavam em cinemas de subúrbio e circuitos “poeiras” do interior americano, hoje a exibição de sua obra acontece em retrospectivas de cinematecas e centros culturais de todo mundo.

SERVIÇO

O Melhor de Russ Meyer

Produção e Realização: Centro Cultural Banco do Brasil

Curadoria: João Juarez Guimarães

bb.com.br/cultura

5 a 15 de agosto, terça a domingo

Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro

Informações: (21) 3808 2007 – 9h às 21h.

Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo

Rua Álvares Penteado, 112 – Centro

Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652

www.bb.com.br/cultura