(The Wolf of Wall Street, EUA, 2013)

Comédia
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey, Kyle Chandler, Rob Reiner, Jon Bernthal, Jon Favreau, Jean Dujardin, Joanna Lumley
Roteiro: Jordan Belfort (livro), Terence Winter
Duração: 180 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Pegue tudo aquilo que você conhece como frenético, chacoalhe bem e jogue pra cima. O resultado é o novo filme de Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street.

O longa é baseado na história real do operador da bolsa de valores Jordan Belfort, preso em 1998 por fraude e lavagem de dinheiro. Graças à licença poética, o personagem ainda recebe uma dose extra de exagero e o que se vê na tela é a jornada completamente insana e alucinada do homem que, durante um bom tempo, levou a sério a frase “melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez”.

Scorsese não se acanha e já começa o filme com uma cena inusitada, antes de partir para sua já habitual narração. Já sabemos onde Belfort vai chegar, mas vamos conhecer o princípio de sua história. O jovem que queria ganhar dinheiro, muda-se para Nova Iorque e vai tentar a vida como operador de bolsa em Wall Street. Lá, com a influência de Mark Hanna, descobre que ser comedido não combina nada com o emprego que escolheu e desiste dos limites.

Manobras financeiras e muita lábia se misturam a uma quantidade absurda de drogas e muito sexo. Belfort exagera antes, durante e depois do expediente e faz da sua rotina de trabalho uma festa sem fim.

Graças ao carisma do personagem principal, a jornada desvairada conquista o espectador completamente, que mal tem tempo para respirar entre uma aprontação e outra. O roteiro delirante e uma montagem completamente frenética são os principais motivos deste envolvimento. Se é pra ser exagerado, que seja no limite. E quanto mais acelerado, melhor.

Como um bom maestro, o diretor se cerca de gente bastante experiente. O ponto de partida é o roteiro de Terence Winter, conhecido por episódios das séries televisivas Boardwalk Empire e Família Soprano. Entre vários técnicos de destaque, atrás das câmeras está o diretor de fotografia Rodrigo Prieto, de O Segredo de Brokeback Mountain, e na ilha de montagem, a parceira habitual de Scorsese Thelma Schoonmaker, responsável pela edição de Os Infiltrados, O Aviador e Touro Indomável.

O elenco segue o mesmo padrão de qualidade. Leonardo DiCaprio entende bem a intenção do diretor e se entrega ao papel de Belfort. Difícil não gostar dele e não acreditar em suas ideias mirabolantes. A agitação sem pausa, apesar de claramente exagerada, se transforma em algo crível. Não estranhe se, no meio do filme, você se sentir tão entorpecido quanto o personagem.

Junto com o protagonista, destacam-se Jonah Hill, uma espécie de fiel escudeiro de Belfort. O ator, conhecido por suas participações em comédias, vai se firmando em Hollywood e demonstra que sabe o que está fazendo. A ponta de Matthew McConaughey como Mark Hanna, apesar de pequena, também surpreende.

Mas o que mais impressiona em O Lobo de Wall Street é como o conjunto consegue estar sempre no limite sem, em nenhum momento, se perder. Algo tão frenético poderia perder a linha com muita facilidade e cair no exagero gratuito que não leva nada a lugar nenhum e apenas cansa. Não acontece. Pelo contrário, o filme tem nesse limite o seu ponto de equilíbrio e, mesmo sem se acalmar, consegue chegar lá.

Um trabalho fantástico.

Um Grande Momento:
Lemon 714.

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