(The Bourne Legacy, EUA, 2012)

Ação
Direção: Tony Gilroy
Elenco: Jeremy Renner, Rachel Weisz, Edward Norton, Scott Glenn, Stacy Keach, Donna Murphy, Michael Chermus, Corey Stoll
Roteiro: Tony Gilroy, Dan Gilroy
Duração: ’35 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Há cerca de 10 anos era lançado o primeiro filme da franquia Bourne. A Identidade Bourne contava a história de um agente secreto sem memória em busca do seu passado. Inspirado no romance de mesmo nome escrito por Robert Ludlum, a ideia de levar o agente Jason Bourne às telas naquela época nem era original, pois a primeira tentativa ocorreu em um seriado de TV norte-americano sem sucesso algum. Porém, nas mãos do produtor Frank Marshall, a história deste agente ganhou uma produção à sua altura e o sucesso foi estrondoso. Com Matt Damon no papel de Jason Bourne, mais dois filmes (A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne) acabaram sendo produzidos depois deste.

Após cinco anos do fim da chamada trilogia Bourne, chega às telas de cinema um quarto filme da série: O Legado Bourne. Difícil não se questionar de antemão sobre o que esperar dele, já que a trilogia foi muito bem encerrada, com a história de Jason Bourne sendo resolvida e, além disto, não temos Matt Damon no papel principal e o diretor já não é Paul Greengrass, o mesmo dos dois últimos filmes.

A cena inicial com o agente Aaron Cross (Jeremy Renner) submerso em águas desconhecidas pode dar a sensação de que o filme é um reboot da história, como aconteceu em O Espetacular Homem-Aranha, mas a impressão passa logo nos primeiros minutos de projeção. A trama em questão é paralela aos eventos finais de O Ultimato Bourne, ou seja, enquanto Jason descobria o seu passado e o segredo da Treadstone vinha à tona, descobrimos que isto era apenas a ponta do iceberg e que outros programas similares de treinamento de agentes secretos existem dentro da própria CIA.

O Legado Bourne traz o foco para a eliminação do projeto Outcome, onde os agentes têm sua constituição genética modificada para ter suas habilidades físicas e cognitivas potencializadas. Porém um deles consegue escapar e o desertor desta vez é Aaron Cross que, ao contrário de Jason Bourne, sabe muito bem quem ele é. Quem também está fugindo é a doutora Martha Shearing (Rachel Weisz), cientista do laboratório onde os super agentes são criados. Ambos são perseguidos por Eric Bayer (Edward Norton) e sua equipe.

Tony Gilroy (Conduta de Risco) é o diretor e corroteirista deste filme e também o responsável pelo roteiro dos outros três da série. Em O Legado Bourne ele dá outro ritmo à história. Ela é mais lenta no início, demora a engrenar e é clara a preocupação em explicar melhor os acontecimentos. Isto pode causar estranheza os fãs da série, já que as cenas frenéticas aparecem depois da metade do filme. Além disto, Cross é um personagem mais raso do que Jason Bourne, não carrega os dilemas do outro protagonista. Ele não quer descobrir nada, já sabe tudo a seu respeito e quer apenas fugir.

Rachel Weisz tem uma ótima atuação no filme, sua personagem cresce ao longo da história. Já Edward Norton tem sua atuação limitada pela falta de profundidade do personagem. Passa quase todo o filme preso no escritório dando ordens. Jeremy Rennes tem a missão dura de substituir Matt Damon. Não que falte talento a Rennes, o problema é a enorme empatia do público com Damon nos três primeiros longas.

O fato de não existir mistérios na história de Cross faz com que o filme não tenha surpresas, diferentemente da trilogia Bourne original, onde ficávamos ávidos por descobrir algum elemento novo na vida do agente e as ligações entre os personagens. Aqui a história é simples: a caçada ao elemento desertor. De qualquer forma, não podemos deixar de levar em consideração que este é um filme, digamos, de transição. Um ciclo se encerrou e agora uma nova história começa, o que serve de justificativa para a lentidão do começo, onde a introdução de um novo cenário, dentro de um contexto já existente, pede que a apresentação seja feita de forma mais pausada.

Se focarmos apenas na história principal de O Legado Bourne e esquecermos os paralelismos com os outros os filmes da franquia, vamos nos dar conta de que ele é indiscutivelmente um ótimo entretenimento, porém se a intenção é reviver todo o frisson causado pela trilogia, a sensação é a de que falta algo. Quem sabe nos próximos títulos da franquia, que certamente virão.

Um Grande Momento

A perseguição em Manila.

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