(Silver Linings Playbook, EUA, 2012)

Comédia
Direção: David O. Russell
Elenco: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jacki Weaver, Chris Tucker, Anupam Kher, John Ortiz, Shea Whigham, Julia Stiles
Roteiro: Matthew Quick (romance), David O. Russell
Duração: 122 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Dizem que a maior vontade do ser humano é ser feliz, mas quando olhamos de perto, ela sempre é menor do que a necessidade de adequação com o coletivo. Como seres sociais que somos, talvez a vontade de ser adequado ou “normal”, como dizem, seja muito mais importante do que encontrar a tal felicidade.

Esse é o tema de O Lado Bom da Vida, novo filme do eclético diretor David O. Russell, que depois filmar guerra (Os Três Reis), comédia (Huckabees – A Vida é uma Comédia) e drama (O Lutador), chega com essa esquemática e deliciosa comédia romântica. Ela conta a história de Pat, um ex-professor que volta à casa dos pais após uma temporada de oito meses em uma instituição de tratamento para doentes mentais. Seu maior objetivo é encontrar seu equilíbrio, reconstruir a vida e reconquistar a ex-esposa.

Entre doses não tomadas do remédio, surtos bipolares e sessões terapêuticas, ele vai tentando alcançar seu objetivo, mas as coisas se atrapalham com a chegada de Tiffany em sua vida. Irmã da esposa de seu melhor amigo, ela acaba de sair de uma crise ninfomaníaca depois da morte precoce de seu marido.

Depois de um começo frenético, similar ao desespero e à impulsividade de Pat, o filme vai se assentando e adequando a todos os velhos padrões. É como se o próprio roteiro superasse um primeiro momento de negação e aceitasse tomar algum tipo de medicação para controlar seus impulsos. Ruim para aqueles que queriam ver uma história sobre a doença, mas ótimo para aqueles que se entregaram a mudança e curtiram uma bonita história.

Em estrutura não há como separar O Lado Bom da Vida de qualquer outra comédia romântica. O filme segue a cartilha à risca, respeitando todos as situações e momentos de virada previstos para o gênero. Mas, mesmo que não seja uniforme, há aqui uma preocupação em aprofundar-se na personalidade da dupla central que não é tão comum assim. Além disso, alguns personagens coadjuvantes também são melhor explorados, como é o caso do pai de Pat, figura essencial para a compreensão do protagonista.

Com um roteiro bem amarrado e boas ideias visuais, o filme flui fácil, mas deve muito de sua qualidade ao impressionante trabalho de Bradley Cooper e Jennifer Lawrence nos papéis principais. Cooper, mais lembrado pelos lindos olhos azuis do que por algum trabalho valoroso que tenha feito, entrega-se de tal maneira a seu personagem e faz de Pat uma figura tão real que é difícil não se envolver ou não reconhecer suas qualidades como ator. Lawrence, apesar da pouca idade, é velha conhecida, já trouxe com ela o reconhecimento (que o diga Inverno da Alma) e aqui também apresenta um ótimo trabalho. É incrível como os olhos dela conseguem transmitir tantas coisas. Junto com as ótimas performances individuais, o que impressiona é a química entre o casal. Impossível não acreditar nos dois juntos. Além da dupla, outra atuação digna de nota é a de Robert De Niro como o chefe da família Solitano.

Com muitos surtos, sessões de terapia, apostas, leituras de Hemingway, dança de salão e futebol americano, O Lado Bom da Vida é um filme simpático e bem gostoso de ser assistido. Uma comédia romântica que não ultrapassa barreiras, mas vai além ao abordar a questão da necessidade de adequação de maneira tão sutil e apropriada. No mais, sejamos todos felizes nesse mundo já cantado por Caetano, onde, de vez em quando, a vida pode parecer seguir em linha reta. Mas à distância, porque de perto, na verdade, ninguém é normal.

Um Grande Momento:
O jantar na casa do amigo.

Logo-Oscar1Oscar 2013
Melhor Atriz (Jennifer Lawrence)

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