(The Imitation Game, GBR, 2014)

Drama
Direção: Morten Tyldum
Elenco: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode, Rory Kinnear, Allen Leech, Matthew Beard, Charles Dance, Mark Strong
Roteiro: Andrew Hodges (livro), Graham Moore
Duração: 114 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

O Jogo da Imitação tinha tudo para ser um bom filme. Além de uma história real interessante, bastante significativa para a atual realidade mundial, tem um protagonista que tem muitas nuances a serem exploradas. O único problema é que se rende a um formato tão batido e tão quadrado, que se torna desinteressante. Sem falar no jeito desleixado com que trata certos acontecimentos, o que prejudica o vínculo entre a obra e quem está assistindo ao filme.

O cinebiografado é o matemático Alan Turing, um dos responsáveis por quebrar os códigos criptografados pela máquina Enigma, construída pelos nazistas e, até então, considerada infalível. Para atingir essa façanha, Turing criou sua própria máquina. Esta viria a ser uma espécie de embrião do computador. Como todas as realizações de Turing e seu grupo foram classificadas como ultrassecretas, os feitos só se tornaram públicos 50 anos depois da Segunda Guerra Mundial.

Ninguém pode dizer que não é uma história que desperta o interesse assim que começa a ser contada. Somando a isso a personalidade arredia e quase ausente de Turing, o preconceito sofrido pelo matemático por conta de sua homossexualidade e a relação que estabelece com a jovem e inteligentíssima Joan, tudo fica ainda mais interessante.

Porém, Morten Tyldum (Headhunters) se complica na hora de distribuir a sua história. Sem saber se foca na vida pessoal ou no projeto científico de Turim, o diretor norueguês se perde e acaba deixando muito claras as limitações e deficiências do projeto.

Apesar de tudo parecer no lugar, a aposta em uma narrativa entrecortada por diversos flashbacks acaba causando um estranho efeito de diminuir a importância daquilo que se conta. Como se o espectador assistisse a dois filmes diferentes, sem muita conexão um com o outro. O cansaço causado pelas idas e vindas, faz com que superficialidades e obviedades apareçam mais.

Entre os pontos positivos, estão as atuações corretas do elenco de apoio e um bom trabalho de Benedict Cumberbacht (Além da Escuridão – Star Trek) como o antissocial esquisitão Alan Turing. Uma coerente – apesar de batida – trilha sonora, assinada por Alexandre Desplat (Argo), e um trabalho bem cuidado de direção de arte, capitaneado por Maria Djurkovic (O Espião que Sabia Demais), também estão entre o que há de melhor no longa-metragem.

A casca, porém, não consegue esconder o mais grave dos problemas. A falta da determinação de um ponto no plano narrativo faz com que uma faceta importantíssima da história seja relegada a um parêntese, como se fosse apenas mais um fato aleatório na vida daquele personagem. O “reconhecimento” daquela pessoa, que tanto fez, é de cortar o coração e, de tudo que foi contado, não poderia ser apenas um detalhe perdido entre passeios temporais, em uma terceira trama menos importante do que as demais que com ela interagem.

Para complicar ainda mais, o filme, que se acovardou em mostrar o que precisava ser mostrado, deixa a imagem e usa o texto para ressaltar um problema que ele mesmo tratou como menos significativo. Além de frustrante, é triste.

A história era boa, mas se perdeu ao não ser contada por inteiro. Como merecia ter sido.

Um Grande Momento:
A última visita de Joan.

Logo-Oscar1Oscar 2015
Melhor Roteiro Adaptado

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