(Lo imposible, ESP, 2012)

Ação
Direção: Juan Antonio Bayona
Elenco: Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland, Samuel Joslin, Oaklee Pendergast, Marta Etura, Sönke Möhring, Geraldine Chaplin
Roteiro: Maria Belon (livro), Sergio G. Sánchez
Duração: 114 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

No dia 26 de dezembro de 2004, ondas gigantes devastaram diversos países asiáticos. Estávamos diante de uma das maiores tragédias naturais, o tsunami do Oceano Índico que fez centenas de milhares de vítimas. As imagens que correram o mundo após a tragédia podem ser resumidas em uma palavra: destroços. Foram casas, ruas, bairros inteiros destruídos em minutos pela força da natureza.

O Impossível é a recriação da história de uma família espanhola (britânica, no filme) que está passando o feriado de Natal na paradisíaca Tailândia. Atingida pelo tsunami, a família acaba dividida em dois grupos, de um lado estão a mãe (Naomi Watts) e o filho mais velho, Lucas (Tom Holland), e do outro, o pai Henry (Ewan McGregor) e os filhos menores, Thomas (Samuel Joslin) e Simon (Oaklee Pendersgast).

Dirigido pelo espanhol Juan Antonio Bayona (O Orfanato), O Impossível é centrado na história desta família e em todos os obstáculos enfrentados na tentativa de um reencontro. Sem fazer muitos rodeios, o filme inicia com a apresentação dos personagens durante a chegada à Tailândia e já segue para o maremoto. As cenas são impressionantes, começando pelos avanços das ondas, os olhares incrédulos das pessoas e chegando ao momento onde elas alcançam banhistas e tudo ao redor.

É de tirar o fôlego. As cenas, com muitas imagens em plongée antes e depois da tragédia, dão a magnitude do acontecimento e mexem com o público que, mais do que testemunha, compartilha a angústia daquelas pessoas na luta pela sobrevivência.

O trabalho é impecável. Desde a trilha sonora, o som do ambiente e principalmente a opção pelo silêncio em certas situações, que ajuda na criação dos momentos de tensão, até os escombros, os ferimentos expostos, as roupas rasgadas misturadas a sangue e lama. As emoções são muito reais.

As atuações convincentes do trio Naomi Watts, Ewan McGregor e Tom Holland são fundamentais para completar o clima que mistura desamparo e esperança. Vale destacar também a rápida aparição de Geraldine Chaplin num diálogo lúdico com um dos filhos do casal.

Watts, que interpreta Maria, a mãe que ficou gravemente ferida durante o desastre, é a dona dos momentos mais sofridos do filme. Holland é a surpresa da produção, não vacila ao interpretar o filho mais velho e intercala bem os momentos de euforia e desespero do personagem. McGregor faz um pai que é a personificação da fé. Mesmo sem rumo e completamente abalado com o acontecimento, ele está determinado a reencontrar o restante da família.

Se nas cenas centradas em Maria ficamos atônitos e desolados pelos efeitos do tsunami, com Henry outro tipo de sentimento fica mais evidente: o da solidariedade. O roteiro aposta nessa alternância de emoções a todo o momento e consegue envolver.

O erro de O Impossível está no exagero. Há um desnecessário alongamento dos momentos de clímax, cenas de desencontros que também se estendem mais do que o suficiente e uma incômoda manipulação do sentimento da audiência. Histórias baseadas em acontecimentos reais já são por si só carregadas de drama, mas em O Impossível somos testados a cada situação a derramar lágrimas. Tanto que o filme chega se perder no ritmo quando, na parte final, diminui os artifícios utilizados para manipular emoções.

Apesar dos excessos, a qualidade da obra é inegável. O filme consegue cumprir seu objetivo de emocionar e, no final das contas, não é apenas a história daquela família, mas o retrato de uma das maiores catástrofes da humanidade.

Um Grande Momento:
Maria e o tsunami.

O-Impossivel

Links

No IMDb Site Oficial