(Do-Nui Mat, KOR, 2011)

Drama
Direção: Im Sang-soo
Elenco: Kim Kang-woo, Yoon Yeo-Jung, Kim Hyo-jin, Baek Yun-shik, On Ju-wan, Maui Taylor
Roteiro: Im Sang-soo
Duração: 114 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Popular ao extremo e polêmico nos dias atuais, não faltam críticos ao estilo melodrama. Muito porque não faltam pessoas que se julgam capazes de trabalhar com ele, sem muito sucesso. Fácil de ser consumido, mas muito difícil de ser elaborado, são poucos os que conseguem entregar aquilo que se propõe a fazer. Claro que há exceções e Sang-soo Im é uma delas.

A capacidade do diretor sul-coreano em criar e trabalhar com o dramalhão é mesmo incrível. Depois de seu Empregada, ele volta com O Gosto do Dinheiro, um drama de máfia e relações familiares, onde pouca coisa foge do esperado mas ainda assim surpreende. Com uma qualidade de imagens superior e tudo tão encaixado em seu lugar, é difícil até aos mais exigentes não embarcar na história e se envolver com os personagens e as tramas criadas.

Maniqueísmos, vilões histriônicos, índoles variáveis e manipulações, tanto dentro quanto fora da tela, estão presentes nessa história de Young-jak, uma espécie de capanga/mordomo/assessor que serve a família corrupta de Sra. Baek, uma matriarca que não mede esforços para manter o status e o poder de sua família e ter seus desejos, quaisquer que sejam eles, realizados.

Seu diferencial está no estilo: uma visão cinematográfica apurada que, minuciosamente elaborada com o auxílio da direção de fotografia de Woo-hyung Kim, gera quadros impressionantes; a noção precisa do meio com o qual está trabalhando, que não é suscetível ao gosto dos espectadores, e um cuidado absurdo com a construção de seus fundamentais personagens.

Qualidades não faltam, mas há problemas e o maior deles talvez seja o mesmo que afligia os poetas parnasianos do século XIX: uma certa dificuldade ao tratar de temas que talvez não se encaixem tão bem ao melodrama, como é o caso da primeira parte do filme, onde a intriga empresarial e o drama de máfia aparecem com destaque, e uma dificuldade em se despedir tanto da trama como de situações pontuais, com alongamentos exagerados, que acabam cansando quem acompanha  a história.

Ainda assim, como somos audiovisualmente criados para consumir exatamente o ambiente que o diretor gosta de construir, é difícil não haver, de cara, um conforto maior ao acompanhar a história contada e se divertir com as reviravoltas do roteiro. Ainda que não seja algo assumido, somos derrotados pelo dramalhão e nos entregamos.

Não é um filme fundamental, mas é uma boa pedida.

O filme faz parte da mostra Panorama do Cinema Mundial no Festival do Rio.
Próxima sessão:
Dia 4/10, às 14:00 e 19:00, no Kinoplex Fashion Mall 2

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