(O FIlho Eterno, BRA, 2016)
Drama
Direção: Paulo Machline
Elenco: Marcos Veras, Débora Falabella, Pedro Vinícius, Uyara Torrente, Augusto Madeira
Roteiro: Cristovão Tezza (romance), Leonardo Levis, Murilo Hauser
Duração: 82 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

O ator Marcos Veras tem boa estreia no drama como protagonista de O Filho Eterno, longa-metragem inspirado no livro homônimo de Cristovão Tezza, romance autobiográfico vencedor de inúmeros prêmios literários. Depois de ser adaptada para o teatro, a história chega agora ao cinema.

Veras é Roberto, um jovem escritor em busca de espaço e alguma realização na profissão. Enquanto isso, vive a expectativa do nascimento de seu primeiro filho, Fabrício. O menino nasce no dia em que a seleção brasileira de Zico, Sócrates, Júnior e outros craques enfrenta a Itália do algoz Paulo Rossi, na semifinal da copa de 1982.

Apaixonado por futebol e principalmente pela seleção, Roberto leva ao hospital uma pequena camisa da seleção canarinho como primeiro presente de Fabrício. Após o nascimento aparentemente normal, vem a notícia: Fabrício é portador de Síndrome de Down.

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A partir desta notícia, a empolgação de Roberto com aquela novidade, na qual ele depositava toda esperança para uma vida mais alegre, e um relacionamento mais afetuoso e próximo com sua esposa, Cláudia, cai por terra. Será nesse clima tenso e intimista que o longa do diretor Paulo Machline seguirá pelos 82 minutos de duração.

A história se limita basicamente aos três personagens, Roberto, Cláudia e o filho Fabrício, interpretado por Pedro Vinícius. Porém, é nas reações e pensamentos de Roberto que todos os conflitos ficarão expostos.

A escolha de Marcos Veras (Entrando numa Roubada) gerou certa curiosidade sobre como o humorista se sairia diante de um drama intimista com sentimentos tão contraditórios e difíceis de serem trabalhados. Como o próprio ator diz em entrevista, o maior desafio era não transformar Roberto num vilão frente ao público, pois é alguém que enfrenta o peso das desilusões e num primeiro momento não responde da forma mais madura diante dessas dificuldades, o que, aliás, é o ponto forte da história, a reação humana, realista e crua do personagem.

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Com menos espaço na trama, a atriz Débora Falabella (Meu País) tem uma atuação também marcante, que não se baseia no conflito de seu personagem mas no sentimento que expressa e que defende, um amor incondicional, mas que também tem seus desafios e pontos fracos. O trabalho da atriz deixa isso claro e com ótimo efeito na tela.

O roteiro de O Filho Eterno é de Leonardo Levis e Murilo Hauser, ambientada nos anos 1980 e início da década de 1990, a história de Fabrício, Roberto e Cláudia corre paralela com as participações da seleção brasileira nas copas de 1982 até 1994. Aqui tem-se um contraponto bastante inteligente, mostrando a derrocada dos sonhos daquela seleção de 82 e 86, passando pelos sentimentos amargos que acompanhavam o time na copa da Itália em 1990, até chegar à dura conquista de 1994, nos EUA. Guardadas as devidas proporções, é com suor e sofrimento que, em todos esse cenários, a redenção será alcançada.

Composta pelos irmãos Guilherme e Gustavo Garbato, a trilha sonora é presente e sutil, reaparecendo com força em momentos chave da história. Ainda que um tanto convencional, cumpre seu papel enfatizando o clímax e os sentimentos alcançados pelos personagens e, bem provável, pelo público.

Um Grande Momento:
Fabrício desaparece.

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