(The Amazing Spider-Man, EUA, 2012)

Aventura
Direção: Marc Webb
Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary, Sally Field, Martin Sheen, Irrfan Khan, Campbell Scott, Embeth Davidtz, Chris Zylka, Max Charles, C. Thomas Howell, Jake Keiffer, Kari Coleman, Tia Texada, Stan Lee
Roteiro: Alvin Sargent, James Vanderbilt, Stan Lee (quadrinhos), Steve Ditko (quadrinhos), Steve Kloves
Duração: 136 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Quase tudo certo para o início da produção de Homem-Aranha 4. Sam Raimi diz que terá domínio total sobre o novo episódio da franquia. Uma vez confirmado Sam Raimi na direção, Tobey Maguire (Peter Parker/Homem-Aranha) e Kirsten Dunst (Mary Jane Watson) voltam atrás na decisão de abandonar Homem-Aranha 4. Até Dylan Baker, que vive o doutor Curt Connors, já garantiu o seu retorno à franquia.

Nomes garantidos. Agora Sam Raimi analisa o roteiro de James Vanderbilt. Ele não está de acordo com algo primordial: a escolha do vilão. Há um bom tempo Sam Raimi está negociando com o ator John Malkovich para viver Abutre. Porém, os produtores querem que o Lagarto seja o vilão da vez. Estabelecem-se assim divergências criativas e o resultado é a dispensa de Sam Raimi, Tobey Maguire e Kirsten Dunst, trio que fez a Sony faturar 2,5 bilhões de dólares com as três aventuras do Homem-Aranha.

Provavelmente, muitas pessoas que irão ajudar a formar filas quilométricas na estreia de O Espetacular Homem-Aranha não sabem desses problemas de bastidores que resultaram em reboot. Porém, é preciso conhecê-lo porque, ao contrário do que se noticia por aí, o longa não é um blockbuster feito essencialmente para agradar os fãs do personagem criado para as histórias em quadrinhos por Stan Lee. O Espetacular Homem-Aranha existe porque o seu herói é, acima de tudo, uma marca. E, como tal, é preciso vendê-lo, mesmo que em versão genérica.

Mudam-se alguns personagens secundários, mas a história é praticamente a mesma. Sem pais, Peter Parker é criado pelos tios Ben e May (Martin Sheen e Sally Field) desde os quatro anos de idade. Torna-se um adolescente geek viciado em bugigangas eletrônicas e fotografia. No colégio, reveza-se em assistir às aulas, se meter em brigas com Flash (Chris Zylka) e criar expectativas para que um dia consiga se aproximar de Gwen Stacy (Emma Stone) sem se comportar como um bobo.

Após assistirmos a tudo isso, vamos para as coincidências que só existem em roteiros mal escritos. Na primeira delas, Peter Parker descobre que o seu pai desapareceu devido a um projeto oculto que desenvolvia para a Oscorp, empresa em que ninguém menos que Gwen Stacy trabalha como assistente. Lá, ele conhece o doutor Curt Connors (Rhys Ifans), um homem que perdeu um dos braços e que sonha em desvendar a fórmula para que possa recriá-lo. A seguir, o acontecimento que todos conhecem de cor e salteado: Peter Parker se infiltra num dos laboratórios secretos da Oscorp e é picado por uma aranha geneticamente modificada.

Do dia para noite, Peter Parker descobre possuir habilidades espetaculares e se torna alguém confiante o suficiente tanto para fazer Flash parecer um pateta na frente dos colegas da escola, quanto para marcar um encontro com Gwen. Tudo vai bem até ele não impedir a fuga de um bandido pé de chinelo que, outra coincidência, mata o tio Ben. O diferencial é que, antes de morrer, o tio não solta nenhuma frase edificante como “grandes poderes exigem grandes responsabilidades”. E o pior: Peter parece superar rapidinho a dor da perda.

Se a desculpa dos produtores em fazer este reboot foi a inclusão do Lagarto, o tiro saiu pela culatra. Quem assistiu a filmes como Um Lugar Chamado Notting Hill e Anônimo sabe que o britânico Rhys Ifans é desses atores que facilmente roubam a cena. Porém, intérprete algum no mundo seria capaz de dar verossimilhança a uma figura tão contraditória como o doutor Connors ou tão insossa quanto Lagarto, a sua personalidade monstruosa.

Para não dizer que O Espetacular Homem-Aranha é um desperdício completo de tempo, Andrew Garfield e Emma Stone estão muito bacanas em seus respectivos papéis. Nas alturas com o sucesso de A Rede Social, Andrew Garfield vive com garra o Homem-Aranha, herói que admite ter sonhado em fazer algum dia desde a infância. Já Emma Stone merece todo o prestígio que tem, pois a jovem atriz é uma fofa em qualquer personagem.

Porém, essas qualidades não são fortes o suficiente para valer o filme, que só existe para arrecadar mais grana para os cofres de seus investidores. Haverá até mesmo exibição em um 3D para lá de fajuto, uma artimanha pouco honesta para arrancar mais dinheiro do pobre espectador.

Numa temporada em que tivemos a presença de Os Vingadores, um filme que ensinou uma nova maneira de adaptar histórias em quadrinhos, não dá para se contentar com a mediocridade de O Espetacular Homem-Aranha.

Um Grande Momento

A ponta-relâmpago de Stan Lee.

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