(The Amazing Spider-Man 2, EUA, 2014)

Ação
Direção: Marc Webb
Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx, Dane DeHaan, Colm Feore, Felicity Jones, Paul Giamatti, Sally Field, Embeth Davidtz, Campbell Scott, Chris Cooper, Stan Lee
Roteiro: Stan Lee, Steve Ditko (HQ), James Vanderbilt, Jeff Pinkner, Roberto Orci, Alex Kurtzman
Duração: 142 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Desde o começo, a ideia de fazer um reboot da franquia Homem-Aranha não foi vista com bons olhos. Longe de ser uma unanimidade, a repaginada no mais famoso adolescente da Marvel, desagradou muita gente que havia se habituado com o modo de Sam Raimi encarar o universo do herói.

Porém, a jovialidade que Marc Webb levou às telonas, contando com um significativo aumento de carisma da dupla central (vivida por Andrew Garfield e Emma Stone), não desagradou a todos.

Além do uso inteligente do humor, um novo Aranha, mais adolescente e, consequentemente, mais instável; mais apaixonado e descontrolado, conseguiu cativar o expectador menos apegado à trilogia anterior.

Pena que o bom começo não acompanhou o desenvolvimento do super-herói e ficou longe de cumprir as expectativas do público. O longa O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, que chega aos cinemas brasileiros amanhã, sofre de um problema grave: a falta de equilíbrio. O roteiro, assinado por mãos demais, não acerta com o humor e começa tramas demais, sem conseguir concluí-las antes dos créditos finais.

Personagens mal construídos, situações forçadas e tentativas embaraçosas de criar vínculo com o espectador ficam muito evidentes e comprometem os poucos momentos inspirados. Perdido em sua proposta original, o filme não consegue se firmar.

Para começar, a trama principal se ancora exclusivamente no passado de Peter Parker, na história de seus pais. Mas, mesmo sendo um filme “de resgate”, não consegue funcionar em nenhum momento nostálgico ou de referência.

Aquele casal que deixou o filho na casa dos tios deveria ser um ponto importante na trama, mas não passa de uma desculpa esfarrapada para tentar criar uma única cena de ação. Quando se trata de nostalgia, nem aquilo que não se refere aos dois funciona. Que o digam a lembrança constante de uma promessa feita a um personagem do filme anterior ou meras menções a fatos e personagens do passado.

Outros problemas menos graves, como a maquiagem ou o figurino pós-libertação de Eletro também não ajudam muito.

Apesar dos pesares, o que se vê na tela é um genuíno filme de super-heróis. Qualquer preocupação com argumento ou construção da trama acaba sendo menos importante do que o uso de interessantes efeitos especiais. É uma tendência do cinema atual e, aqui, cenas de ação bem pensadas somam pontos positivos às imagens do Aranha em seus voos de teia pela cidade. Nem mesmo o exagerado apego a efeitos especiais específicos – leia-se slow motion – deixa o que se vê na tela menos impressionante. As cenas na Times Square, por exemplo, são ótimas.

Stone e Garfield continuam se destacando e fazem bastante para que o resultado final seja menos problemático. Além deles, há Jamie Foxx. Ainda que seu personagem tenha problemas de construção e figurino, seu vilão Electro funciona bem. No meio dos vilões, a ponta de Paul Giamatti também merece créditos. Outra presença que chama atenção no meio do elenco é Sally Field. Não falta esforço, mas o desafio é maior.

No final da sessão, a impressão que fica é que tanto dinheiro e tecnologia, somados à qualidade do elenco, poderiam ter resultado em um filme muito melhor. Mas é difícil construir alguma coisa sobre uma base tão frágil. Um pouco menos de megalomania e mais coesão na hora de escrever o roteiro teriam feito muito bem. O final do filme merecia isso.

Aquele reboot promissor acabou perdido no meio do caminho. E agora, talvez, precise de um novo recomeço para chegar em algum lugar.

Um Grande Momento:
Salvando Gwen Stacy.

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