(O Escaravelho do Diabo, BRA, 2016)
Suspense
Direção: Carlo Milani
Direção: ELENCO
Roteiro: Lúcia Machado de Almeida (romance), Melanie Dimantas, Ronaldo Santos
Duração: 90 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Durante muitos anos no Brasil, os estudantes de primeiro grau tinham como tarefa ler os títulos de uma série infanto-juvenil bem conhecida. Era a Coleção Vagalume (naquela época ainda não existia o acordo esquisito que colocou um hífen no meio da palavra vaga-lume) e contava com vários títulos interessantes de aventura e suspense. De todos, um fazia bastante sucesso: “O Escaravelho do Diabo”.

O livro, escrito por Lúcia Machado de Almeida, era daqueles devorados em pouco tempo, já que todo mundo queria saber quem era o serial killer que saiu matando ruivos em Vale das Flores. E ai de quem lesse mais rápido e contasse o final para o colega. Era infração grave, como é hoje com os seriados.

Muitos anos depois do lançamento, a história, que tem inspiração nos romances de Agatha Christie, ganhou uma adaptação cinematográfica. Mantendo os mesmos elementos, a adaptação ficou a cargo de Melanie Dimantas e Ronaldo Santos, enquanto Carlo Milani assumiu o posto de diretor.

Claramente voltado para o público infanto-juvenil, o filme começa com uma cena de susto em um cemitério e depois de uma rápida apresentação de Hugo, o detetive mirim protagonista, o suspense vai ganhando corpo.

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Bastante influenciado pela estética televisiva, Milani erra ao imprimir uma aura sobrenatural ao serial killer. Embora está também estivesse no romance, há um exagero prejudicial. Além de quebrar o ritmo, as passagens são cansativas e gratuitas, já que existe ali uma história que conseguiria prender o público sem o uso desses artifícios. Na tentativa de criar uma maior tensão, acaba afastando o público.

Além disso, há problemas com as atuações, que, em sua maioria, são ou travadas, ou exageradas demais. O desequilíbrio atrapalha até mesmo os bons atores presentes no elenco, como é o caso de Marcos Caruso, que vive o delegado Pimentel; Augusto Madeira, como seu ajudante na delegacia, e Jonas Bloch, como o padre Paulo Alfonso.

Mas, mesmo com todos os equívocos e excessos, o que se vê na tela está apoiado em uma trama interessante, que desperta a curiosidade de quem está assistindo ao filme. Além de contar com um fator auxiliar, o saudosismo de quem há muito tempo atrás leu o livro. A manutenção de uma aura “antiga” cativa o público mais maduro, porém não é tão bem vista pelos mais novos.

O Escaravelho do Diabo deixa a impressão de um filme com potencial inexplorado. Ainda que agrade por trazer à tela algo que fez parte da cultura de algumas gerações, não consegue cumprir sua tarefa satisfatoriamente. Mas, ainda assim, consegue sobreviver pela força do suspense que realiza.

Um Grande Momento:
Nada tanto assim.

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