(El crítico, ARG, 2013)

Comédia
Direção: Hernán Guerschuny
Elenco: Rafael Spregelburd, Dolores Fonzi, Blanca Lewin, Ignacio Rogers, Telma Crisanti
Roteiro: Hernán Guerschuny
Duração: 98 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Fazendo com que estereótipos e clichês funcionem a seu favor, a comédia argentina O Crítico conquista seu público. Escrita e dirigida pelo editor de uma revista voltada ao mercado cinematográfico, o longa retrata o universo muito particular daqueles que escrevem sobre cinema e, ao mesmo tempo, referencia populares filmes de gênero, alcançando tanto os que estão em uma cabine de imprensa – sessões exclusivas destinadas à imprensa especializada-, quanto os que compraram o ingresso.

O filme conta a história do arrogante Victor Tellez, um crítico de cinema frustrado com o mundo e com o cinema que se faz hoje em dia. Segundo ele, a sétima arte morreu há muito tempo e a “vida real” é um apanhado de clichês de um filme ruim. Isso até conhecer a espanhola Sofía e se descobrir vivendo o gênero de filme mais abominado por ele: a comédia romântica.

Além de ambientes e situações conhecidas, o filme é uma mistura de diálogos muito familiares aos que se dedicaram a tentar entender o cinema e de frases feitas muitas vezes repetidas na telona. A tranquilidade com que o diretor Hernán Guerschuny transita entre esses dois universos faz com que a experiência valha ainda mais.

A reconstrução do modelo padrão de uma comédia romântica, mesmo quando didaticamente explicada antes de acontecer, é deliciosa. Ver a realização de cada um dos clichês citados diverte e Gerschuny ainda dá um jeito de lidar bem com a previsibilidade. É difícil não se deixar envolver.

Além da dupla de protagonistas, há outros personagens curiosos em O Crítico, como o jovem cineasta que quer se vingar de uma crítica de Tellez que arruinou a sua vida; a “namorada” acadêmica de cinema, e a sobrinha que trabalha como balconista de uma videolocadora. Menos desenvolvidos e por vezes escanteados, é possível perceber uma certa quebra na trama toda vez que aparecem com destaque.

Mas nem isso, nem um possível desequilíbrio na distribuição dos acontecimentos, conseguem diminuir o interesse despertado pelo filme. Por um lado, como alguém que vive muito tempo da vida dentro das salas escuras, reconheço pessoas, momentos e até sentimentos relacionados com o cinema que andamos vendo por aí.

Por outro, como alguém que apenas se diverte com o cinema, me agrada ver mais uma comédia romântica que consegue se desenvolver de uma maneira “diferente” da que se vê todos os dias, trazendo elementos novos e se recriando dentro do próprio clichê.

O Crítico é isso, um filme modesto e divertido que, ao brincar com clichês e estereótipos, consegue conquistar o público e provocar boas risadas.

Um Grande Momento:
“Por que eu estou vendo tudo em câmera lenta?”

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