(Sorcerer, EUA, 1976)
Aventura
Direção: William Friedkin
Elenco: Roy Scheider, Bruno Cremer, Francisco Rabal, Amidou, Ramon Bieri, Peter Capell, Karl John, Friedrich von Ledebur
Roteiro: Georges Arnaud (romance), Walon Green
Duração: 121 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆

Em uma área abandonada de um pequeno país da América Latina, dois homens que fugiram de seus passados e assumiram novas identidades decidem levar uma carga de nitroglicerina de caminhão. O caminho tortuoso e a carga altamente explosiva determinam a tensão de O Comboio do Medo, refilmagem do clássico francês O Salário do Medo, dirigido por Henri-Georges Clouzot.

Em sua versão, William Friedkin mantém suas marcas registradas. Um exímio criador de cenas marcantes, como a chegada do padre à casa de Reagan em O Exorcista, e sequências eletrizantes, como a perseguição ao trem em Operação França, o diretor estadunidense sabe como envolver os espectadores e fazê-los ficar grudados na cadeira com passagens de tirar o fôlego.

Mesmo com uma história empolgante, como a do romance de Georges Arnaud, as marcas de Friedkin são facilmente identificáveis, desde a apresentação dos personagens, cada um em seu país de origem, Jackie Scalon dos Estados Unidos e Victor Manzon da França, até o atribulado transporte da carga. Há todo um cuidado na captação de imagens em movimento e na composição de imagens que determinam o futuro de seus personagens.

Tanto Scalon quanto Manzon não podem mais permanecer em seus países, um por problemas com mafiosos e outro com problemas financeiros, e fogem para o país desconhecido, onde transformam-se em Juan Dominguez e Serrano, respectivamente. Para vivê-los, Roy Schneider e Bruno Cremer fazem um bom trabalho, embora não precisem se esforçar muito, uma vez que a própria história faz as vezes de objetivo maior.

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Depois de um começo agitado, passando por um respiro nas atividades de ambos no novo país, o filme começa a realmente pegar fogo durante a viagem com a nitroglicerina. Estradas de terra esburacadas ao lado de despenhadeiros, pinguelas, pontes suspensas e outros obstáculos dão motivos para cenas de uma tensão absurda. Tensão, como sempre, muito bem trabalhada pelo diretor.

Ressalte-se em todas essas sequências o trabalho apurado de edição de som e a montagem complexa de Bud S. Smith (Flashdance), com a ajuda de Robert K. Lambert (Três Reis). Tudo muito bem pensado e elaborado para levar a tensão ao seu ponto mais extremo. Momentos que são acompanhados de suspiros de alívio ao final de cada um deles.

Diferente de outros títulos antigos do diretor que, ainda muito bons, perderam alguns elementos com o passar do tempo, em O Comboio do Medo isso não acontece. Fica a angústia e o completo controle de tudo aquilo que Friedkin resolve realizar no set e causar no espectador.

Bom para ver em casa, mas se houver a oportunidade de ver na tela grande, não perca. Uma senhora experiência de cinema.

Um Grande Momento:
A ponte suspensa.

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No IMDb http://www.adorocinema.com/filmes/filme-10403/trailer-19534674/