(El clan, ARG/ESP, 2015)

Drama
Direção: Pablo Trapero
Elenco: Guillermo Francella, Peter Lanzani, Antonia Bengoechea, Gastón Cocchiarale, Giselle Motta, Stefanía Koessl, Franco Masini, Lili Popovich, Fernando Miró, Juan Cruz Márquez de la Serna
Roteiro: Pablo Trapero, Julian Loyola, Esteban Student
Duração: 110 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Ao iniciar seu novo filme, O Clã, o diretor argentino Pablo Trapero (Elefante Branco) faz questão de determinar o momento por que passava a Argentina. Usando imagens de arquivo, traz o discurso de Raúl Alfonsín condenando as práticas adotadas pelos militares durante um período negro da história do país, conhecido como “Processo de Reorganização Nacional”, quando as três forças armadas se uniram para depor a presidente Isabelita Peron.

A ditadura militar, que durou de 1976 a 1983 e ficou conhecida pela truculência, sofreu um abalo após a derrota na Guerra das Malvinas em 1982, obrigando o então presidente a convocar eleições. Alfonsín era um dos candidatos, o que acabou vencedor do pleito e tomou posse em dezembro do ano seguinte.

Os fatos do filme, baseado em uma história verídica, acontecem na transição entre a ditadura e o restabelecimento da democracia. Chefiado por Arquímedes Puccio, o clã criminoso e família, praticava sequestros extorsivos e matava suas vítimas após o pagamento do resgate. O cativeiro era na própria casa da família e os filhos homens participavam das ações de sequestro junto com amigos do pai.

Embora conte uma história que dê pano para muita manga, tanto pensando em abordagem visual de violência e em cenas de ação, ou mesmo em questões sociológicas mais profundas, como a dominação do pai sobre todos os que o cercavam; a questão da obediência que contraria princípios; ou a construção de um monstro, já que Arquímedes, como membro da inteligência argentina participou ativamente da chamada Guerra Suja argentina e tinha o respaldo de políticos influentes, o filme não consegue ser ir muito além da história contada.

Mesmo que conte com boas atuações, principalmente do ator de TV Peter Lanzani, como Alex, e várias qualidades técnicas, é um filme que não consegue envolver verdadeiramente quem o assiste. Como se confiasse demais na história e não precisasse fazer mais nada além de filmá-la ou como se apenas a narrativa não-linear pudesse criar o interesse necessário. Esta, pelo contrário, causa uma certa confusão no início do filme e mais distancia do que aproxima.

Trapero até tem alguns momentos inspirados quando faz elementos exteriores à trama mesclarem-se com a história, como a imagem de televisão, mais uma vez de arquivo, que é exposta na tela e depois se assume como aquilo que Arquímedes está assistindo; ou a transformação da trilha sonora em som ambiente. Mesmo que seja uma técnica batida, ele consegue fazer um bom trabalho aqui.

Além disso, o diretor também pode contar com a sensibilidade visual de Julián Apezteguia (El ardor) na direção de fotografia e com o bom trabalho de reconstituição de época de Sebastián Orgambide (O Passado) na direção de arte. O final do filme, arriscado, também é interessante.

Mas, no conjunto, O Clã é um filme que deixa a desejar. É uma pena, porque dava para se abordar muita coisa, pois ainda há muito o que se falar de um dos piores momentos históricos da história argentina e tudo o que dela derivou com sua depravação moral.

Um Grande Momento:
O salto.

O Clã

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