Drama
Direção: César Charlone, Enrique Fernández
Elenco: César Troncoso, Virginia Méndez, Mario Silva, Virginia Ruiz, Nelson Lence, Henry De Leon, Jose Arce, Rosario Dos Santos
Roteiro: César Charlone, Enrique Fernández
Duração: 90 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆
(El Baño del Papa, URU/BRA/FRA, 2007)

A população de uma cidadezinha uruguaia esquecida por Deus vê na visita do Papa João Paulo II a oportunidade de mudar de vida, mas não por um motivo religioso. Na verdade, a grande esperança é que o evento traga para a cidade milhares de turistas brasileiros que cedo ou tarde precisarão comer.

Enquanto todos se dedicam à comida, fazendo empréstimos, comprando quantidades absurdas de chouriço e amassando um monte de massa de empanada, Beto, um pequeno contrabandista local, pensa mais longe: se todo mundo vai comer, vai precisar ir ao banheiro. E assim começa a construir aquilo que fará seu futuro ser muito melhor.

Com uma história simpática e sem grandes apelações, O Banheiro do Papa aborda temas como fé, capitalismo e imprensa. Enrique Fernández e César Charlone (em sua estréia na direção) conseguem conduzir bem a história e acertam ao escolher uma história simples mas cheia de significados.

César Troncoso e Virginia Méndez dão um banho como o casal principal e trazem a história para tão perto de nós que fica difícil não torcer ou se preocupar com os dois. Na verdade, fica até difícil ir embora depois que o filme acaba, deixando-os para trás.

É essa delicadeza e sensibilidade que faz com que o filme seja muito bom. As emoções fluem muito naturalmente e o espectador passa de um sorriso à pena muito rapidamente. As cenas mais duras, de uma pobreza cruel que dói ainda mais ao superar qualquer questão de ética dos envolvidos, têm sempre aquela dose colorida de esperença e de batalha.

Apesar de muitas qualidade e de conseguir envolver e entreter o espectador, o filme tem alguns pequenos problemas talvez pela inexperiência dos dois diretores nesta função específica. César Charlone já é um velho conhecido nosso e que ele sabe fotografar, todo mundo notou com Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel e Ensaio Sobre a Cegueira, mas o exagero em algumas imagens faz com que o visual se sobreponha à trama e a enfraqueça.

Outra coisa que me incomodou um pouco também foi na escolha da fotografia, nas cenas finais, quando tudo pareceu “maquiado” demais.

Mas nada como a volta de Beto e sua esperança para fazer o público esquecer qualquer problema.

Uma história interessante, com boas imagens e atores muito bons! Vale a pena ver!

Um Grande Momento

“Eu tenho uma idéia!”

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