(A Most Violent Year, EUA/ARE, 2014)

Drama
Direção: J.C. Chandor
Elenco: Oscar Isaac, Jessica Chastain, Elyes Gabel, Albert Brooks, David Oyelowo, Alessandro Nivola
Roteiro: J.C. Chandor
Duração: 125 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Depois de muitos anos assistindo a filmes de máfia, com direito a obras-primas como O Poderoso Chefão, dirigido por Francis Ford Coppola e considerado como o grande clássico do gênero, e outros destaques como Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese, que segue o caminho básico, ou Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, que busca uma abordagem diferente, acreditava-se que pouca coisa pudesse impressionar o espectador.

Até que J. C. Chandor resolveu também tentar. Conhecido por filmes que esmiuçam a sociedade estadunidense contemporânea a partir de elementos dissociados, como os excelentes Margin Call – O Dia Antes do Fim e Até o Fim, o diretor apresenta com O Ano Mais Violento, um filme de máfia que, apesar de seguir todos os princípios do gênero, tem em seu protagonista uma figura avessa a tudo o que se está acostumado. Sem falar na poderosa crítica ao alardeado sonho americano, que se propaga ser para todos, mas que só pode ser alcançado por aqueles poucos que se enquadrem nas exigências da nata social.

Com um trabalho potente com os escuros na direção de fotografia de Bradford Young (Selma: Uma Luta pela Igualdade) toda vez que expõe seus personagens, Chandor faz questão de deixar que a história se construa dentro de cada espectador, como se cada um fosse responsável por iluminar a escuridão por trás daquelas pessoas.

O explícito é que Abel Morales é um poderoso empresário no ramo de combustíveis e precisa enfrentar uma série de assaltos a seus caminhões e uma investigação da promotoria, que o acusa de maquiar os balanços da empresa. Sempre ao lado de Abel estão Andrew Walsh, uma espécie de consciência do imigrante; Julian, um dos empregados que demonstram como o patrão se relaciona com eles; e Anna, sua esposa e filha de um antigo mafioso, de quem o casal herdou os negócios.

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Depois de achar um terreno que poderia aumentar seus lucros pela proximidade com o rio, Abel entrega todas as economias para concluir a compra do local, propriedade de uma família judia ortodoxa. Mas os eventos atrapalham os negócios e ele precisa achar uma solução para não perder o sinal já pago.

Para ambientar sua história, o diretor, que também assina o roteiro do filme, escolhe o ano de 1981. Estatisticamente considerado o mais violento da cidade de Nova York, com mais de 2 mil assassinatos registrados e vários casos de estupros e assaltos, além de crimes envolvendo mafiosos e membros de gangues.

O clima pesado extra e inter trama provocam a tensão necessária para explorar o personagem e seu desespero pela manutenção do poder. Ele, mesmo sendo um imigrante latino, chegou lá, mas precisa estar sempre buscando meios de ser aceito e estabelecido pela sociedade que o cerca.

Chandor constrói um jogo interessante ao explorar a situação por meio de relacionamentos. Seja do protagonista com seus empregados, de origem igual a dele; com sua esposa, fria e dissimulada, mas já habituada aos círculos que o marido sempre quis frequentar; com o advogado, uma figura de trato social mais aceitável para os preconceitos da época e lugar; ou com os colegas de profissão, uma associação de pequenos mafiosos locais, que não perdem uma chance de desmerecer e atrapalhar aquele que galgou um posto acima deles.

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A figura do protagonista também é explorada visualmente, com sua coleção de roupas de fino corte, cabelos extremamente alinhados, a barba sempre bem feita, e sua postura corporal diante das mais diversas situações. Como uma tentativa visual constante de se afirmar socialmente.

Além disso, há todo um destaque à constante dualidade de ações de Abel. Uma preocupação constante em seguir à lei estritamente, sem deixar margens para que sua chegada ao topo seja questionada. Ao mesmo tempo, há uma óbvia influência da origem de seus negócios, presente inclusive dentro da própria casa, e uma necessidade que faz com que novas ações tornem-se válidas.

Entre esses limites do aceitável e inaceitável, do louvável e do condenável, e também do falso e do verdadeiro O Ano Mais Violento se desenvolve de maneira angustiante e envolvente na mesma medida. Além de todo um cuidado com os enquadramentos, uso de trilha sonora e distribuição da ação, o longa ainda conta com atuações potentes de Oscar Isaac (Star Wars: Despertar da Força), maravilhoso como o mafioso não-mafioso Abel, e Jessica Chastain (Perdido em Marte), como a manipuladora e dissimulada Anna.

Um filme para ver, se impressionar e pensar.

Um Grande Momento:
Tampando o buraco.

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