(El abrazo de la serpiente, ARG/COL/VEN, 2015)

Drama
Direção: Ciro Guerra
Elenco: Nilbio Torres, Antonio Bolivar, Jan Bijvoet, Brionne Davis, Yauenkü Migue, Nicolás Cancino, Luigi Sciamanna
Roteiro: Theodor Koch-Grunberg, Richard Evans Schultes (diários), Ciro Guerra, Jacques Toulemonde Vidal
Duração: 125 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Inspirado nos diários deixados pelo etnologista Theodor Koch-Grunberg e pelo biólogo Richard Evans Schultes, que dedicaram anos de suas vidas estudando a região amazônica, O Abraço da Serpente acompanha a história da dominação e dizimação indígena tendo como guia a figura de Karamakate, um xamã que encontrou no isolamento um meio de manter suas tradições vivas.

Conduzindo de maneira não-linear, o longa dirigido por Ciro Guerra (As Viagens do Vento) é uma experiência narrativa interessante, principalmente por saber como utilizar a seu favor a diferença de tempo dos relatos contados. Entre os assuntos expostos estão a evangelização dos povos indígenas, a exploração de borracha e um bombardeio moral de tradições seculares.

A eterna briga causada por uma suposta superioridade étnica e pela falta de respeito com o que há de diferente, e a nocividade do contato com uma cultura que foi capaz de deturpar costumes são contadas de forma interessante e curiosa. Com uma boa distribuição dos acontecimentos, o ritmo do filme, contemplativo até certo ponto, é fluido.

A região amazônica é belissimamente fotografada em preto e branco por David Gallego (Cecilia) e a montagem de Etienne Boussac (Edifício Royal) contribui intensamente para o resultado positivo do longa-metragem, assim como a trilha sonora de Nascuy Linares (Mar Blindado), bastante respeitosa com a cultura retratada.

As atuações, porém, não são tão regulares quanto deveriam. Enquanto Antonio Bolivar está bem como a versão idosa de Karamakate, Nilbio Torres falha em alguns momentos como o jovem índio. Os estrangeiros, vividos por Jan Bijvoet (Ardennes) e Brionne Davis (Rota Mortal: Não Olhe para Trás), também não conseguem construir personagens equilibrados, passando do ponto nas cenas mais afetadas.

Mas são problemas que acabam abafados pela força da história contada e por toda beleza que a cerca.

O Abraço da Serpente é um filme eficiente na sua abordagem da história indígena, que consegue conquistar e acaba fazendo o espectador pensar na forma como se encara o modo com que esse grupo étnico foi tratado – ou melhor destratado – pelos brancos que aqui estiveram.

Um Grande Momento:
A bússula.

Oscar-logo2Oscar 2016 (indicações)
Melhor Filme em Língua Estrangeira (Colômbia)

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