(Notre Paradis, FRA, 2011)

Drama
Direção: Gaël Morel
Elenco: Stéphane Rideau, Dimitri Durdaine, Béatrice Dalle, Didier Flamand, Raymonde Bronstein, Malik Issolah, Mathis Morisset
Roteiro: Gaël Morel
Duração: 96 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Vassili é um homem patético. Ainda michê mesmo aos quarenta anos de idade e em constante ignorância de sua decadência física cada vez mais evidente, o sujeito lida com a sociedade de um modo miserável, entregando violência a homens bem-sucedidos que pagaram por seu sexo.

Concebido com a intenção de ser um noir gay, o francês Nosso Paraíso é uma obra inicialmente intrigante por sua proposta e pela curiosa subversão de papéis que apresenta em seu primeiro ato, quando Vassili decide cobrar em sexo um favor para o também michê Angelo, um indefeso ninfeto mal saído da adolescência. O envolvimento deles acaba crescendo e, é claro, não demora muito até que eles se vejam implicados em crimes gradualmente mais violentos.

Mas o noir termina aqui, infelizmente, sendo sexo, assassinatos e um pédé fatale os únicos elementos do gênero que o diretor e roteirista Gaël Morel parece conhecer. Ignorando o desastre potencializado pela fotografia granulada demais e alegre demais, assim como a trilha sonora esquemática cheia de violoncelos nas cenas românticas e violinos nos momentos tristes, o que temos é uma produção que poderia ser facilmente comparada a uma obra de Pedro Almodóvar. Como o ambiente do terceiro ato, por exemplo, com cenário e personagens tão interessantes e atraentes que mereciam ter sido o filme inteiro.

Os melhores momentos sobre o protagonista, aliás, estão neste terceiro ato e o mérito é todo de Stéphane Rideau, que nos ajuda a sentir pena, em vez de desprezo, pela estúpida empolgação de Vassili com a promessa impossível que faz ao seu jovem amante. Incapaz de entender o absurdo de seu plano, o sujeito reúne todas as suas esperanças de conforto, tranquilidade e férias eternas em uma ideia que se resume a morar de favor na casa de um antigo protetor. Já o desfecho da produção, porém, só soma aos equívocos de Gaël Morel, que parecia ter melhor sorte na carreira de ator (ele contracenou com Rideau no aclamado Rosas Selvagens, de André Téchiné).

O diretor parece querer transferir para o espectador a mesma frustração que seus protagonistas encaram. Contudo, em vez de fazer uso de uma construção profunda de personagens para proporcionar a identificação e o envolvimento do espectador com o destino deles, o que Morel faz é apenas nos pagar com um final abrupto e anticlimático, um desfecho que parece ser esforçar para privar de qualquer recompensa o dedicado e paciente espectador que acompanhou a jornada deprimente desse personagem tão patético.

Pensando em Vassili e Morel, parece ser “ingratidão”, e não noir, o termo que melhor se aplica ao que Nosso Paraíso é.

Um Grande Momento

A nudez do ninfeto.

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